Muito além da Black Friday, vamos fazer o bem

Muito além da Black Friday, vamos fazer o bem

Rodrigo Leite*

02 de dezembro de 2019 | 15h00

Rodrigo Leite. FOTO: DIVULGAÇÃO

A tão tradicional Black Friday americana está cada vez mais consolidada no Brasil. Segundo dados do Ebit/ Nielsen, foram R$ 2,6 bilhões em vendas no ano passado no país, com uma projeção de crescimento de 18% para esse ano, passando para vendas da ordem de R$ 3,07 bilhões no período.

No entanto, uma outra data, que também nasceu nos Estados Unidos, mas que ainda não é tão conhecida entre os brasileiros é o Dia de Doar. Internacionalmente chamada de Giving Tuesday, trata-se de um movimento global que incentiva doações ao redor do mundo. Uma mobilização que promove países mais generosos e solidários, por meio da conexão de pessoas com causas.

A ação foi criada em 2012 com a simples ideia de marcar um dia para encorajar as pessoas a fazerem o bem. Sempre acontece na sequência de datas comerciais já famosas, como o próprio Black Friday e a Cyber Monday. É sempre realizado na primeira terça-feira depois do Dia de Ação de Graças (o Thanksgiving).

No Brasil, a data foi “lançada” em 2013, mas apenas em 2014 o país passou a fazer parte oficialmente do movimento global, que hoje conta com cerca de 60 países participando oficialmente, e ações sendo realizadas em mais de 190.

De acordo com os organizados daqui, no ano passado, 22 milhões de pessoas foram impactadas pela mensagem #diadedoar nas mídias sociais e 17 milhões alcançadas pela mesma hashtag em inserções em edifícios comerciais e residenciais de todo o país. Além disso, o movimento estimulou mais de R$ 1,2 milhão em doações, um crescimento de 90% com relação ao ano anterior.

O desafio no Brasil em 2019 é superar os números de 2018 e envolver ainda mais gente. Na data, que será realizada no dia 03 de dezembro, uma grande campanha reunirá milhares de organizações preparadas para receber doações e milhões de brasileiros demonstrando seu apoio, com diversas causas.

No caso das pessoas em situação de rua, por exemplo, enxergamos iniciativas que têm superada as ações emergenciais de doações de roupas e alimentos, como programas de empregabilidade e geração de autonomia. É o que acontece em um dos nossos programas da ARCAH, o Horta Social Urbana, que por meio de aulas de agricultura urbana promove a reintegração de pessoas na sociedade. No Dia de Doar, o projeto contará com recursos provenientes da venda de peças em formato de corações, doados por um de nossos parceiros. Desse modo, pretendemos fazer a nossa parte para diminuir os números das pessoas em situação de rua (mais de 100 mil, segundo última estimativa oficial de 2015).

Essa é a nossa forma de participar do Dia de Doar. No entanto, existem inúmeras outras. Com a SP Mais Humana, por exemplo, pessoas e empresas que desejam contribuir com causas sociais, seja por meio de voluntariado ou doações, de acordo com as necessidades das entidades localizadas no seu entorno, podem ser conectadas.

Ou seja, participar de causas sociais está cada vez mais fácil. Por isso, conclamo a todos a participarem de alguma forma para ajudar o próximo. Vamos aproveitar o dia para abrir os olhos para atacar as origens dos nossos problemas sociais, com cada um assumindo suas responsabilidades. Vamos mostrar que o brasileiro é solidário e fazer o Dia de Doar maior do que o Black Friday no país.

*Rodrigo Leite, advogado e empreendedor social, fundador da ARCAH, atuou ativamente na área socioambiental e resolução de conflitos das principais obras de infraestrutura no país. Escolhido como Global Shaper pelo World Economic Forum como um dos jovens proeminentes para transformação do estado do mundo

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