Mudanças na Educação do País e o seu cenário atual

Mudanças na Educação do País e o seu cenário atual

Leandro Xavier*

07 de fevereiro de 2021 | 10h00

Leandro Xavier. FOTO: DIVULGAÇÃO

O ano de 2020 foi marcante para a história devido ao surgimento da pandemia do novo coronavírus e as diversas mudanças que fomos obrigados a adotar para preservar a saúde de todos. Nesse processo, a Educação teve que passar por diversas adaptações para acompanhar a nova dinâmica de vida da população e superar as adversidades.

Todas as instituições de ensino, em algum nível, se viram diante dos desafios impostos pelo distanciamento social, restrições de circulação, dificuldades financeiras dos estudantes em decorrência das fragilidades econômicas ocasionadas pelo novo cenário. As organizações que já atuavam no seguimento de ensino híbrido ou de educação a distância (EAD) conseguiram se adaptar mais rapidamente. Por outro lado, aquelas que ainda trabalhavam unicamente com a modalidade presencial tiveram que empreender um esforço maior para realizar esta transição.

Apesar dessas mudanças terem sido impulsionadas por um cenário de pandemia, a transição das aulas presenciais para um modelo totalmente virtual diminuiu a rejeição das formas de ensino na modalidade EAD e evidenciou de forma ainda mais intensa a necessidade de amadurecer as estratégias utilizadas pelas instituições de ensino para preparar os estudantes a partir de um modelo mais alinhado com as demandas atuais da sociedade e do mercado de trabalho.

Os moldes tradicionais utilizados para o aprendizado já vinham sendo considerados obsoletos há bastante tempo e a crise gerada no ano de 2020 foi uma oportunidade de acelerar um processo que já vinha ocorrendo no sentido de adaptar os conteúdos e estratégias na busca do desenvolvimento de competências comportamentais, as chamadas soft skills, além as competências técnicas (as hard skills), que são complementares e igualmente importantes para a formação profissional na atualidade.

A fragilidade na educação brasileira já é apontada desde os anos 1990 como uma abordagem que está a serviço da desmobilização e fragmentação, quando deveria formar e criar pensamento. A pandemia tornou mais evidente estas fragilidades e intensificou a percepção de que é necessário mudar de postura, pois já estamos atrasados quanto a essas mudanças.

Pesquisas acadêmicas relacionadas aos novos rumos da educação superior a partir da pandemia tem demonstrado que as mudanças realizadas no decorrer do ano de 2020 já estão impactando as percepções sobre a formação educacional e que, diante disso, a educação superior não continuará sendo como antes, com mudanças graduais que refletirão de forma mais intensa as demandas da sociedade contemporânea por meio de um ensino mais globalizado, tecnológico, híbrido e dinâmico.

Nesse contexto, as mudanças passam por um esforço para adaptação dos currículos, didáticas e avaliações, a busca de otimização do tempo e a adoção de um trabalho realizado por projetos, por temas, utilizando eixos integradores, estruturantes e transversais. Além disso, temos a importância de rever as cargas horárias e metodologias de trabalho, buscando formas mais humanas e eficientes de avaliação.

A pandemia demonstrou que é possível modificar o modelo acadêmico e administrativo, agregando à comunidade universitária através de um sistema remoto, que mantenha a produtividade, reduza os custos operacionais e garanta o equilíbrio entre as atividades presenciais e virtuais.

Diante de tudo isso, uma das tendências é a alteração dos currículos na busca por atender as demandas do mercado, com estruturas mais flexíveis, metodologias ativas, aprendizagem baseada em projetos e foco no desenvolvimento de competências comportamentais como criatividade, inteligência emocional, julgamento e tomada de decisão, negociação, gestão de pessoas, liderança, resolução de problemas complexos, trabalho em equipe, pensamento crítico, comunicação, dentre outras identificadas de acordo com cada curso.

O uso de modelos híbridos também deve expandir. Com a integração entre os ambientes online e offline, a autonomia e protagonismo do estudante são potencializados por meio de atividades síncronas, quando há interação entre aluno e professor no mesmo ambiente ao mesmo tempo; assíncronas, quando a interação simultânea não é necessária; e presenciais, com atividades práticas em laboratórios e em campos de pesquisa.

Com essas mudanças, a incorporação de tecnologias educacionais nos processos é inevitável, pois permitirão ampliar o acesso à informação, facilitar a comunicação, automatizar processos, potencializar a troca de experiências e novas formas de interação.

Ambientes virtuais de aprendizagem, realidade aumentada, bibliotecas virtuais, inteligência artificial, laboratórios virtuais, são exemplos de tecnologias que podem contribuir no processo de evolução do ensino.

Os processos de avaliação deverão ser mais voltados para considerar o desenvolvimento de competências e não somente para verificar se o estudante assimilou o conteúdo repassado utilizando questionários e provas de múltipla escolha.

Outra ação importante é preparar os recursos humanos para lidar com as novas tendências em expansão, principalmente os professores. Desde a captação dos alunos, passando pelo atendimento e ensino, os colaboradores das instituições devem internalizar essa nova cultura.

É imprescindível que os docentes adquiram afinidade com as metodologias, ferramentas tecnológicas e estratégias para conduzir os estudantes com tranquilidade pelos processos de aprendizagem.

Todas essas tendências irão ao encontro das expectativas dos estudantes, que buscam na educação uma forma de desenvolverem uma carreira bem-sucedida no mercado de trabalho. A empregabilidade deve ser o foco das instituições de ensino.

*Leandro Xavier, fundador e presidente do Grupo Educacional Faveni

Notícias relacionadas

Tudo o que sabemos sobre:

Artigoeducação

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.