Mudança regulatória para democratizar investimentos

Mudança regulatória para democratizar investimentos

Diego Soares de Arruda*

19 de agosto de 2021 | 04h30

Diego Soares de Arruda. FOTO: DIVULGAÇÃO

Pequenos investidores poderão, em breve, ter acesso a investimentos que atualmente são permitidos apenas para milionários. Isso se a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidir pela redução do piso patrimonial para quem quer ser reconhecido como ‘investidor qualificado’, de R$ 1 milhão para R$ 627 mil em aplicações financeiras. Segue em análise, na autarquia, a mudança desses critérios para a classificação oficial.

Essa possível mudança regulatória seria muito bem-vinda. Além de abrir espaço para os investidores acessarem uma gama de produtos superior, também reduziria o fato de a qualificação ser definida por uma questão exclusivamente patrimonial. O investidor não necessariamente deveria ser classificado pelo patrimônio, mas também pelo seu conhecimento.

Há uma suposta explicação para, atualmente, investidores não qualificados terem restrição de acesso a produtos financeiros de risco alto. Acredita-se, de forma questionável, que eles não teriam conhecimento suficiente para buscar grandes retornos por meio de estratégias sofisticadas.

Acredito, contudo, que mesmo o pequeno investidor deveria ter mais liberdade para exercer um perfil mais arrojado, se for bem assessorado e buscar o conhecimento devido.

O estudo ‘Investidores no Mercado de Capitais Brasileiro, realizado pela Assessoria de Análise Econômica e Gestão de Riscos (ASA), divulgado no último mês, mostrou que a pesquisa feita com 5000 investidores, apurada em setembro de 2020, mostrou que eles apresentaram alto nível de educação financeira. Importante observar que esse número de investidores incluiria pessoas de todas as Regiões do Brasil, e todos os níveis de escolaridade e faixas de renda.

Ainda segundo o estudo, entre os temas de comentários recebidos na pesquisa, a ‘flexibilização de investimentos’ lidera o ranking seguido por ‘investimentos no exterior’ de forma unânime. Como segunda posição, homens indicam ‘classificação de investidores’, enquanto mulheres citam ‘investimentos no exterior’.

Uma redução na faixa patrimonial para o reconhecimento de ‘investidor qualificado’ iria na direção correta da democratização dos investimentos e do financial deepening. Ou seja, uma maior oferta de serviços financeiros.

*Diego Soares de Arruda é sócio da gestora Ujay Capital

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