‘Mudança de governo não é caminho andado contra corrupção’, diz coordenador da Lava Jato

‘Mudança de governo não é caminho andado contra corrupção’, diz coordenador da Lava Jato

Procurador Deltan Dallagnoll afirma que 'não concorda com a ideia' de que novo governo poderá interferir na maior operação de combate à corrupção no País

Mateus Coutinho, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

28 de abril de 2016 | 15h21

Deltan Dallagnol. Foto: Reuters

Deltan Dallagnol. Foto: Reuters

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, afirmou nesta quinta-feira, 28, que ‘mudança de governo não é caminho andado nenhum contra a corrupção’. Deltan Dallagnol reservou alguns minutos da coletiva que apresentou denúncia contra 18 investigados para falar do momento que o País atravessa, marcado pela turbulência política e questionamentos sobre o futuro da Lava Jato.

“Nós vivemos um momento muito especial do caso (Lava Jato) e da história deste País e nos preocupa o fato de que uma parcela da população vê a mudança de governo e mesmo as ações da Lava Jato como um meio caminho andado contra a corrupção. Nós não concordamos com essa ideia. Na nossa perspectiva, mudança de governo não é caminho andado nenhum contra a corrupção”, disse, em alusão a um eventual impeachment de Dilma que abrirá caminho para o governo Michel Temer.

“Corrupção não é privilégio ou ônus de governo A ou governo B, de partido A ou partido B. A corrupção nos acompanha ao longo de toda a história, ela é institucionalizada, sistemática, endêmica. Desde 1650 se reclama de corrupção no Brasil. Se nós queremos um País melhor, precisamos reformar sim o sistema e as condições que favorecem a corrupção.”

A Comissão Especial do Senado analisa desde segunda-feira, 25, o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No dia 17 de abril a Câmara dos Deputados aprovou, com 367 votos favoráveis – superando a meta necessária de 342 votos -, a continuidade do processo de impedimento de Dilma Rousseff, que agora está sob análise no Senado.

Se o processo for aceito também no Senado, a presidente será afastada por 180 dias para ser julgada pelo Congresso e, neste período, o vice-presidente Michel Temer assume a Presidência. Se ao final do processo o Congresso decidir pelo afastamento da petista, o vice segue como presidente até o final do mandato, em 2018.

A força-tarefa da Lava Jato denunciou o casal de marqueteiros que atuou nas campanhas de Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Lula (2006), João Santana e Mônica Moura. Uma das denúncias tem como alvo, além do casal, os funcionários do chamado “departamento da propina” da Odebrecht, revelado pelas operações Acarajé e Xepa e o empreiteiro Marcelo Odebrecht. Ao todo, são 17 denunciados nesta quinta, ainda não há detalhes sobre as acusações.

Deltan Dallagnol disse ainda. “Essas acusações que são trazidas hoje têm por objeto também crimes praticados pela empresa Odebrecht. Isso nos traz à memória um método de defesa que é muito utilizado por réus neste caso. Em razão de ser difícil uma defesa jurídica, porque os fatos são claros, as evidências são fortes, porque as as investigações foram conduzidas com muito cuidado, muitas vezes as pessoas para se defenderem das acusações, elas acabam acusando ou tentando retirar a credibilidade dos acusadores, das instituições que estão investigando e alegam supostas perseguições. Isto aconteceu desde o começo do caso.”

 

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