MPF vê indícios de corrupção passiva e lavagem de ativos de Viana, Pezão, Cabral e Fichtner

MPF vê indícios de corrupção passiva e lavagem de ativos de Viana, Pezão, Cabral e Fichtner

Ao requerer inquéritos ao Superior Tribunal de Justiça, vice-procuradora pede depoimentos de nove pessoas, incluindo os governadores do Acre e do Rio e outros políticos

Redação

12 de março de 2015 | 19h07

Atualizada em 13/3, às 17h11

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

A vice-procuradora geral da República, Ela Wiecko, pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta quinta-feira, 12, a abertura de dois inquéritos para investigar os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do Acre, Tião Viana (PT). Com base em depoimentos de colaboração premiada, conduzida pela Força Tarefa do Ministério Público Federal que investiga a Operação Lava Jato, a vice-procurador viu indícios dos crimes de corrupção passiva e lavagem de ativos, envolvendo também o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e o ex-secretário da Casa Civil Régis Fichtner, ambos do Rio.

Da esquerda para a direita: Tião Viana, Pezão, Cabral e Fichtner . Fotos: Divulgação e Estadão

Da esquerda para a direita: Tião Viana, Pezão, Cabral e Fichtner . Fotos: Divulgação e Estadão

No pedido dos inquéritos, foi solicitado ao STJ autorização para que a Polícia Federal colha o depoimento de nove pessoas, incluindo o governador e o ex-governador do Estado, além da análise de informações sobre doações eleitorais. Nos autos que envolvem o governador do Acre, Ela Wiecko solicitou depoimento de Tião Viana, informações sobre as doações de campanha e documentos em posse do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro. Nos dois casos foram solicitadas diligências para a colheita de evidências probatórias.

Em depoimento, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou que Luiz Fernando Pezão agiu com Sérgio Cabral e Régis Fichtner para solicitar e receber, ilegalmente, R$ 30 milhões de empresas contratadas pela estatal petrolífera, para construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo a vice-PGR, a revelação de que Costa atuava junto às empreiteiras na composição do caixa da campanha eleitoral de 2010 do PMDB está alinhada com o que disse Alberto Youssef.

O pedido de inquérito acrescenta informações sobre os doadores das eleições de 2010, disponibilizado no Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral. Existem aportes financeiros das empresas Alusa (R$ 500 mil), Odebrecht (R$ 200 mil) e UTC (R$ 1 milhão) no comitê financeiro único do PMDB-RJ e da OAS, sendo R$ 400 mil no comitê financeiro da Direção Estadual do PMDB-RJ e R$ 1 milhão no comitê financeiro da chapa Cabral/Pezão.

O ex-diretor da Petrobrás também informou que Tião Viana solicitou e recebeu indevidamente R$ 300 mil de recursos de propina recolhidos junto a empresas contratadas pela Petrobrás, em 2010, como auxílio para sua campanha. As referências estão acompanhadas de anotações realizadas em agenda apreendida durante busca determinada pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

COM A PALAVRA, A ALUMINI ENGENHARIA.

A Alumini Engenharia (antiga Alusa) nega veementemente que tenha participado de qualquer acordo ilícito envolvendo doações para campanhas políticas. Nenhum executivo da empresa jamais participou de reuniões dessa natureza ou recebeu pedidos para doações ilegais. Todas as contribuições que a empresa já fez até hoje para partidos e políticos foram devidamente registradas na Justiça Eleitoral, em conformidade com a Lei.

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