Movimentos da educação financeira e o impacto no mercado brasileiro de capitais

Movimentos da educação financeira e o impacto no mercado brasileiro de capitais

João Vitor Chaves*

21 de abril de 2019 | 05h00

João Vitor Chaves. FOTO: DIVULGAÇÃO

Quando olhamos para todas as grandes potências mundiais, vemos que a educação financeira básica é algo que faz parte do dia a dia das pessoas desde os primeiros anos do colégio. Indo além dos outros abismos (econômicos e sociais), que nos separam dessa realidade, é claro que esse movimento tem impacto profundo na realidade do mercado financeiro desses países.

No Brasil, o ensino do tema Finanças só foi instituído formalmente em 2018, com prazo até 2020 para que as escolas realmente o implementem. Mesmo começando a existir na esfera pública, sabemos que o mais provável é que sua implementação fique há anos luz do ideal.

Afinal, em um sistema educacional que possui dificuldades em passar o básico sobre português e matemática, mesmo já tendo tido décadas para se aprimorar no tema, o que esperar de assuntos que mesmo os professores muitas vezes não tiveram contato, como é o caso das finanças?

Por esse motivo, acredito que propagar a educação financeira, sem promessas de ganhos rápidos, e sem ilusões de resultados improváveis é uma das bandeiras que precisam ser defendidas. Observamos um movimento, puxado principalmente pelo mundo digital, de democratização do assunto e que têm revolucionado a forma do brasileiro enxergar sua vida financeira.

Ainda bem. Mas é preciso responsabilidade. Como esse propósito, continuo batendo na tecla do investimento ao longo prazo. Um dado mostra como essa filosofia é importante: Na história, as bolsas de valores são positivas em 54% dos dias contra 95% das décadas estudadas. O que isso significa? Ao focar no retorno rápido o risco é muito maior ao contrário do que acontece num futuro extenso, em que os ativos se mostram majoritariamente positivos.

Sabemos que fomentar essa visão não é uma missão fácil, afinal, mesmo tendo um PIB per capita superior ao da China e Índia, quando olhamos o número de investidores em relação a população total, temos de 4 a 10 vezes menos representatividade no Brasil do que nesses países. Quando olhamos para os Estados Unidos, nosso número é 100 vezes menor.

E por que isso importa?

Justamente quando a população passa a ter conhecimentos mais profundos sobre finanças e investimentos, que ela passa a poupar mais, e com a poupança, é capaz de investir e criar um mercado de capitais, que por sua vez influencia na economia como um todo ao desenvolver a oportunidade e o estímulo necessários para que mais empresas sejam criadas e cresçam.

O pequeno e o médio empresário são a grande força geradora de empregos no País e sofrem diariamente para conseguir financiar suas operações. Um mercado de capitais forte pode ajudar a mudar a realidade do Brasil, onde somente grandes empresas conseguem se tornar companhias abertas, para algo próximo dos Estados Unidos, onde temos literalmente banquinhas de cachorro quente com capital aberto em bolsa.

Sim, o caminho é longo. O investimento necessário por parte de todos os agentes do mercado, tanto privados quanto público também é alto. Mas acredito que estamos criando um ambiente fértil para que pessoas deem seu próximo passo em seu desenvolvimento no mundo dos investimentos.

*João Vitor Chaves é COO da casa de análise financeira Suno Research. Fundador do Empreenda Junto, 2.ª maior comunidade online de empreendedores do Brasil, foi o primeiro brasileiro e pessoa mais jovem a receber o título de Teacher Of New Ventures And Leadership pelo MIT GEB, quando tinha 21 anos

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