‘Motor de Lama’ da PF vasculha casa e escritório de filho do governador de Mato Grosso do Sul

‘Motor de Lama’ da PF vasculha casa e escritório de filho do governador de Mato Grosso do Sul

Rodrigo de Souza e Silva, filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), foi um dos alvos da sétima fase da Operação Lama Asfáltica, que mirou desvios de recursos públicos e fraudes em licitações no Detran-MS

Paulo Roberto Netto

24 de novembro de 2020 | 22h19

*Atualizada às 19h05 de 25 de outubro com a manifestação do advogado Rodrigo de Souza e Silva e do Detran-MS

A Polícia Federal vasculhou a casa e o escritório do advogado Rodrigo de Souza e Silva, filho do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), durante a sétima fase da Operação Lama Asfáltica, deflagrada nesta terça, 24. A ‘Motor de Lama’ mira desvios de recursos públicos e fraudes em licitações para contratação de serviços de emissão de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), vistoria veicular e aquisição de produtos pelo Detran do Mato Grosso do Sul.

Em nota, a defesa de Rodrigo de Souza e Silva afirma que não teve acesso aos autos da operação, mas que prestará os todos os esclarecimentos necessários à Justiça. O Detran-MS afirmou que seus diretores e sua assessoria jurídica estão à disposição das autoridades.

A Receita Federal e a Controladoria-Geral da União também participaram das buscas. Segundo o Fisco, também está sendo investigado o uso de contas bancárias por ‘testas de ferro’ e evasão de divisas mediante dólar-cabo por meio de uma rede de doleiros. A transação consiste no depósito de reais em uma conta de doleiro no Brasil que, por sua vez, faz o saque da quantia convertida em moeda estrangeira de uma conta sediada no exterior. A medida burla os mecanismos de controle do País.

Agentes da Polícia Federal, Receita e CGU conduzem a Operação Motor de Lama em Campo Grande. Foto: Receita Federal / Divulgação

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, quatro medidas restritivas de liberdade e quatro mandados de sequestros de bens que chegam a R$ 40 milhões. O valor corresponde a 10% dos prejuízos estimados aos cofres públicos, segundo a Receita, que prevê lesão ao erário de ao menos R$ 400 milhões. A operação foi conduzida em Campo Grande e em Dourados (MS).

De acordo com a PF, as investigações desta fase da Lama Asfáltica tiveram como foco as contratações realizadas pelo Detran-MS. São apurados supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE RODRIGO DE SOUZA E SILVA
O advogado de defesa de Rodrigo Souza e Silva, Gustavo Passarelli, informa que ainda não teve acesso aos autos de busca e apreensão e ao inquérito policial. A defesa informa que não houve medida restritiva de liberdade aplicada contra seu cliente. Souza e Silva prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos, comprovando a total ausência de envolvimento em qualquer ato ilícito e a fatos objeto de investigação da Operação Lama Asfáltica.

COM A PALAVRA, O DETRAN-MS
O Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) informa que em relação à operação da Polícia Federal realizada hoje (24/11/2020) não houve busca na sede do departamento ou em suas unidades. Os seus diretores e Assessoria Jurídica estão à disposição das autoridades para prestar eventuais esclarecimentos necessários.

Tudo o que sabemos sobre:

Receita FederalPolícia Federal

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.