Morte de Thomaz Bastos abala mundo jurídico

Advogados, ministros e juristas comentam morte de ex-ministro da Justiça durante o governo Lula

Redação

20 de novembro de 2014 | 16h29

São Paulo – Para autoridades e colegas de profissão, a morte do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos representa a perda de um dos principais nomes da advocacia brasileira. O advogado criminalista morreu na manhã desta quinta-feira, 20, aos 79 anos.

Abaixo, a repercussão da morte do ex-ministro no meio jurídico:

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça:

“Lembrado com carinho e admiração pelos funcionários desta Casa, Márcio Thomaz Bastos seguirá como exemplo de competência, integridade e espírito público. (…) [Thomaz Bastos] mostrou-se um defensor intransigente da democracia e dos direitos humanos, participando do movimento das Diretas Já e da fundação da Ação pela Cidadania.”

José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso:

“São Paulo e o Brasil perderam um dos seus maiores advogados. Eu me recordo que quando Márcio me contou que acabara de ser convidado pelo Lula para ser ministro da Justiça eu disse a ele: ‘O Brasil vai ter um grande advogado a defendê-lo’.”

Celso Vilardi, advogado (atuava com Thomaz Bastos na coordenação da defesa das empreiteiras citadas na Lava Jato):

“Eu perdi um dos meus melhores amigos, a advocacia perdeu um dos melhores advogados de todos os tempos. E o Brasil perdeu uma de suas melhores cabeças.”

Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, ex-presidente da OAB-SP:

“A advocacia perdeu um advogado que sempre demonstrou profundo e acendrado amor pela profissão. Provoca um vazio muito grande no momento em que palavras fortes em defesa da advocacia deveriam ser ouvidas.”

Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB):

“Márcio será sempre inspiração para a defesa do estado de direito, dos valores constitucionais e dos fundamentos de uma sociedade civilizada. Um brasileiro exemplar, um advogado correto, um jurista de escol, um homem de família, um amigo e conselheiro. O luto institucional se soma a tristeza pessoal pela irreparável perda deste inigualável presidente de sempre do Conselho Federal da OAB.”

Marcos da Costa, presidente da OAB-SP:

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, Marcos da Costa, decretou luto oficial de três dias na Secional e Subseções da OAB-SP. Ele declarou. “A Advocacia brasileira perde um de seus ícones, um dos mais importantes e produtivos advogados criminalistas de sua geração, que patrocinou grandes causas e foi um tribuno de escol. Também foi um democrata na acepção máxima da palavra, tendo tido uma vigorosa atuação na Assembleia Nacional Constituinte, na OAB e ao longo de sua vida pública, sempre buscando assegurar as garantias do direito de defesa, raiz de todos os demais direitos do cidadão”

Ministro Luís Inácio Adams, advogado-geral da União:

“A morte de Márcio Thomaz entristece a todos nós que com ele conviveram. Homem íntegro, leal e agregador, foi essencial à Justiça e ao País. Perdemos o homem, mas tivemos o privilégio de testemunharmos em primeira mão o exemplo e as conquistas de Márcio Thomaz Bastos.”

Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal:

“Márcio Thomaz Bastos se destacou tanto na vida pública e privada pela sua competência singular, tendo intermediado com extrema sabedoria e felicidade conflitos na arena jurídica sem perder a sua grande característica de ser combativo defensor de seus constituintes.”

Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal:

“[Thomaz Bastos] foi um homem que serviu dignamente ao direito, tanto na atividade privada como na vida pública. (…) Foi, também, um ministro da Justiça exemplar, por sua competência e isenção. (…) Inovações como a criação do Conselho Nacional de Justiça, a autonomia da Defensoria Pública e a repercussão geral no STF só viraram realidade em razão do seu empenho e habilidade.”

Augusto de Arruda Botelho, presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD):

“O ex-ministro da Justiça foi um ícone da Advocacia e uma figura que engrandeceu sobremaneira nosso Estado Democrático de Direito, contribuindo para o aprimoramento de uma sociedade mais justa. Ele deixa um legado inestimável para o fortalecimento das instituições e de respeito aos direitos humanos.”

Antonio Carlos de Almeida Castro (Kakay), advogado:

“Admirava o tanto que ele sabia ouvir. Ele captava a alma dos clientes.”

Roberto Podval, criminalista:

“Estamos órfãos. Ainda ontem enviei um bilhete ao Marcio que dizia ‘a advocacia precisa de você’. E é isso. Márcio representava para todos nós o grande porto seguro. Era nosso pique no esconde-esconde. Seu escritório era o lugar para onde corríamos quando o problema era grande. Sempre com as portas abertas recebia a todos e, com seu jeito enigmático e sorriso simpático, sempre acalmava a situação. Enfim, partiu nosso guia e com certeza a partir de agora nos olha, nos cuida e nos defende lá de cima. Com você mais perto do criador, certamente continuaremos amparados. Obrigado amigo, vizinho de praia e protetor. Mais do que nunca precisamos de você. Fique em paz, Podval.”

Benedito Cerezzo Pereira Filho, sócio do escritório Eduardo Antônio Lucho Ferrão Advogados Associados:

“A Justiça está de luto. Perdemos um verdadeiro defensor da sociedade, aquele que tinha a coragem de defender o ‘um’, contra ‘todos’. Que seu legado seja motivo de ânimo para a advocacia e para a Justiça como um todo”.

Cesar Asfor Rocha, ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça:

“Homem honrado. Paradigma da melhor advocacia. Defensor intransigente das prerrogativas da democracia. Elevado espírito público . Sua palavra sensata fará muita falta nestes tempos de negação. Mas seu exemplo fica”.

Criminalista Guilherme San Juan Araujo, sócio do San Juan Araujo Advogados:

 “A advocacia acordou triste, perde um de seus maiores ícones, o genial Marcio Thomaz Bastos, que deixou um legado que será fonte de inspiração por muitos e muitos anos para todos aqueles que se dedicam à advocacia criminal, pautada na ética e dedicação absoluta na defesa de seus constituintes.”

Hamilton Dias de Souza, tributarista, sócio do Dias de Souza Advogados Associados:

“Conheço Márcio há muito tempo. Sempre foi extremamente gentil e elegante no trato com os colegas. Não mudou essa postura quando ministro da Justiça. Como advogado, convém esclarecer que o fato de defender políticos que cometeram ilícitos não o confunde com eles. Afinal,todos têm direito à ampla defesa e o sistema de liberdades públicas não funcionaria sem profissionais como o Márcio. O país e a classe dos advogados perdem com sua ausência.”

Criminalista Marcelo Leal, sócio do Eduardo Antônio Lucho Ferrão Advogados Associados: “É uma grande perda para a advocacia brasileira, ele deixa um legado de luta pela democracia e pela liberdade em nosso País.”

Advogada Mary Elbe Queiroz, sócia do Queiroz Advogados Associados e presidente do Instituto Pernambucano de Estudos Tributários de Pernambuco (IPET):

 “É uma grande perda, não só para o mundo jurídico mas para o povo brasileiro por se tratar de um exemplo de força de caráter, humanidade e cidadania.”

Sylvia Urquiza, sócia do escritório criminalista Urquiza, Pimentel e Fonti Associados:

“Foi uma enorme perda para o país. Marcio Thomaz Bastos foi um grande nome da advocacia. Ele pautou toda a sua vida profissional pela incansável luta pelas garantias constitucionais e pelo direito de defesa”.

Advogado criminal José Luís Oliveira Lima

“Foi o maior estrategista conhecido e um grande orador. No lado pessoal, era generoso, gentil, divertido e sempre tinha uma palavra amiga. Estou muito triste com a morte dele.”

Advogado Edgard Hermelino Leite Junior

“Uma figura ímpar, uma referência na advocacia nacional. Um verdadeiro gentleman, que sempre se dedicou a todas as causas e aos amigos de forma intensa.”

José Horácio Halfeld Rezende Ribeiro – Presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP):

“A morte de Márcio Thomaz Bastos encerra um ciclo para a advocacia. Defensor incansável do direito de defesa, escreveu a história de forma indelével.”

Paulo Adib Casseb, Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo

“Fui informado há pouco aqui em Bogotá na Colômbia, onde participo de Conferência Internacional sobre Direito e Justiça Militar, da morte do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. Manifesto meus sentimentos e apoio aos amigos mais próximos e familiares neste momento de tristeza também, para todos nós da comunidade jurídica.”

Sergio Renault – diretor-presidente do Prêmio Innovare

“Marcio Thomaz Bastos deixou um legado fundamental como ministro da Justiça, com o fortalecimento da Polícia Federal e a Reforma do Judiciário. Modernizou a Polícia Federal, em termos de estrutura e na forma republicanos de agir nas investigações. O ministro dizia que a Polícia Federal não deveria perseguir os inimigos e nem proteger os amigos. Todas as mudanças na polícia federal após o governo Lula decorreram da obra do ministro.

Quando Marcio Thomaz me convidou para ser secretário da reforma judiciária, ele comentou que estava colocando sob a minha responsabilidade o projeto que justificava sua ida ao ministério. E completou que se não fosse para fazer a reforma e criar o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), nem aceitaria ser ministro da justiça.

Como advogado, Marcio Thomaz foi um grande professor. Deixou uma legião de alunos, que tiveram a oportunidade de trabalhar ou conviver com ele. Grande parte dos criminalistas de sucesso no país deve à ele sua formação e experiência profissional .

Marcio Thomaz tinha grande apreço pelo Innovare, por acreditar ser ele uma forma de criar um projeto que tivesse continuidade mesmo se ele estivesse fora do governo. E transformou o Prêmio Innovare em um projeto autônomo, em uma demonstração que as mudanças precisam continuar independente do governo.”

 

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