Mortalidade infantil e a importância da amamentação

Mortalidade infantil e a importância da amamentação

Denise de Augustinis Noronha Hernandez*

03 Agosto 2018 | 05h00

Denise de Augustinis Noronha Hernandez. FOTO: DIVULGAÇÃO

Conhecido como Agosto Dourado, o mês que celebra a importância da amamentação tem sua primeira semana marcada pela realização da Semana Mundial de Aleitamento Materno. A iniciativa acontece entre os dias 1 e 7 em mais de 120 países e tem a missão de conscientizar as pessoas para essa prática tão importante para a nutrição e saúde infantil.

A preocupação pela difusão da informação não é sem motivo. A mortalidade infantil tem relação direta com o leite materno, considerado o primeiro alimento da vida. De acordo com a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), realizada até os seis meses de vida, a amamentação pode evitar, por ano, a morte de 1,3 milhão de crianças menores de cinco anos.

No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 41% das mães alimentam seus filhos exclusivamente com leite materno e em livre demanda até os seis meses de vida, como indica a Organização Mundial da Saúde (OMS). O índice é pouco maior que os 40% praticados no mundo, mas ambos abaixo da meta global estipulada em 50%.

Apesar de toda essa importância, recentemente, durante a assembleia-geral da OMS, os Estados Unidos tentaram barrar a aprovação de uma relevante resolução em favor da amamentação materna. Com o objetivo de defender os interesses de fabricantes de fórmulas para alimentação de bebês, os representantes norte-americanos tentaram forçar boicote e até mesmo ameaçaram retaliar países que aprovassem o item do documento chamando os governos para “proteger, promover e apoiar a amamentação”, bem como o item que chamava formuladores de políticas públicas a restringir a promoção desse tipo de alimento processado. A tentativa não obteve sucesso e a resolução felizmente foi aprovada.

O episódio reforça que o mundo tem conhecimento da relevância e dos benefícios do leite materno para as crianças. Conhecimento este que, sob o aspecto da ciência, é inquestionável.

Estudos conduzidos dentro e fora do Brasil comprovaram que a amamentação está diretamente ligada à redução de óbitos de bebês. O aleitamento também influencia no melhor desenvolvimento emocional, cognitivo e intelectual da criança, ajuda a reduzir a probabilidade do desenvolvimento de doenças como diabetes, infecções respiratórias, do trato urinário e por parasitas, além de reduzir número de casos de desnutrição, diarreia e até de cáries, entre tantos outros benefícios.

Para as mães, também há diversas vantagens. O ato de amamentar reduz riscos de hemorragia e de anemia no pós-parto, diminui a possibilidade de câncer de útero e ovário após a menopausa, bem como de doenças cardíacas e diabetes. Isso, sem deixar de destacar o aumento da autoconfiança, da autoestima e da melhor adaptação ao bebê.

Tais benefícios são explicados pela composição do leite materno. Ele possui cerca de 250 componentes que agem com ações anti-inflamatórias, bactericidas e protetoras. Rico em proteínas, gorduras, carboidratos e outros nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê, ele também contém anticorpos, que atuam como um verdadeiro escudo contra diversos tipos de doenças e infecções.

A ciência é a maior propaganda do poder do leite materno. Agora, para que o mundo consiga alcançar a meta estabelecida pela OMS, é fundamental que todas essas informações cheguem em todos os lares. E essa é a grande missão nesse Agosto Dourado.

Governo e diversas entidades ligadas à saúde, como o Conselho Federal de Nutricionistas e seus conselhos regionais estão engajados em difundir a importância da amamentação para o desenvolvimento de crianças bem como de mães mais saudáveis. O trabalho de informação é a grande ferramenta para que possamos reduzir a mortalidade infantil e garantir crianças mais saudáveis.

*Denise de Augustinis Noronha Hernandez é presidente do Conselho Regional de Nutricionistas 3.ª Região SP/MS (CRN-3)

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