Morre nos EUA, aos 69, condenado à morte que não foi executado porque demência apagou suas memórias do crime

Morre nos EUA, aos 69, condenado à morte que não foi executado porque demência apagou suas memórias do crime

Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que submeter à pena capital Vermon Madison, ‘um homem incapaz de reconhecer seu crime’, seria ‘castigo incomum e cruel’; ele desenvolveu alienação após sofrer um derrame na prisão

Redação

28 de fevereiro de 2020 | 07h00

Morreu na fila da execução da pena de morte o sentenciado Vermon Madison no sábado, 22. Preso há mais de 30 anos por matar um policial a tiros, em 1985, nos EUA, ele teve sua pena capital prorrogada duas vezes após os seus advogados alegarem que ele desenvolveu demência em virtude de derrames que sofreu na prisão. Como consequência, ele teria perdido as suas memórias do crime.

A Suprema Corte dos Estados Unidos aceitou reabrir o caso para julgar se Madison seria capaz de entender o motivo pelo qual estava sendo executado, mas ele morreu antes de ver o desfecho de seu caso. As informações são da agência de notícias Associated Press.

Vela. Foto: Pixabay/@webandi/Divulgação

A última execução agendada de Madison foi barrada em 2018.

Ele estava no Centro de Detenção Holman Correctional, na cidade de Altmora, no Alabama, onde ficam prisioneiros que aguardam a execução.

A porta-voz do departamento prisional, Samantha Rose, disse que uma autópsia será realizada no corpo de Madison. A possibilidade de assassinato não é considerada.

O grupo Equal Justice Initiative defendeu o caso de Madison na Suprema Corte. Eles disseram que o caso de Madison “chamou a atenção do país para a causa de prisioneiros que envelhecem e desenvolvem demência”.

Assassinato

Madison foi sentenciado à morte pelo assassinato a tiros do policial Julius Schulte em 1985. Schulte atendia a uma ocorrência de criança desaparecida, feita pela namorada de Madison.

A Promotoria acusava Madison de atirar no policial enquanto ele estava sentado em sua viatura preenchendo documentos.

Sua primeira execução, por injeção letal, estava programada para ocorrer em 2016. Seus advogados, então, disseram que uma série de derrames o deixaram debilitado.

“Ele desenvolveu demência vascular, o que deixou virtualmente cego, com incontinência, incapaz de andar sem ajuda de um andador, dificuldade para se comunicar e sem memórias do crime ou das circunstâncias que o levaram a ser condenado à morte”, disse o grupo Equal Justice Initiative em comunicado.

A Suprema Corte barrou a execução de Madison em 2016, alegando que executar um homem incapaz de reconhecer seu crime seria um castigo incomum e cruel. Esse entendimento, no entanto, foi revisto pela própria Corte Suprema.

O caso teve mais uma reviravolta em 2018, quando a Suprema Corte aceitou ouvir novamente sobre o caso de Madison, barrando uma nova execução.

Em sua decisão mais recente, em fevereiro de 2019, a Suprema Corte decidiu, por 5 votos a 3, enviar o caso de Madison de volta para a corte estadual no Alabama.

“Baseado no histórico do caso, não podemos ter certeza de que a corte estadual reconheceu que a demência de Madison pode torná-lo incapaz de ser executado”, disse a oficial de Justiça Elena Kagan ao resumir a decisão judicial.

O estado não chegou a marcar uma terceira data para a execução de Madison e tampouco marcou nova audiência para conferir sua capacidade mental.

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