‘Gostaria de votar de pijama, mas não posso’, diz Moro

‘Gostaria de votar de pijama, mas não posso’, diz Moro

Ao votar no clube Duque de Caxias, no mesmo bairro em que mora, em Curitiba, juiz da Lava Jato foi cumprimentado e recebeu aplausos, neste domingo, 7

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

07 Outubro 2018 | 09h58

Juiz da Lava Jato vota em Curitiba. Foto: Ricardo Brandt

O juiz federal Sérgio Moro chegou às 9h30 para votar. De terno preto, sem gravata, entrou escoltado por dois seguranças e jornalistas no Clube Duque de Caxias, no mesmo bairro em que mora, em Curitiba. O juiz entrou discretamente pelo acesso principal e esperou três pessoas votarem antes dele – na seção 464, da 2.ª zona eleitoral, que tem 4.796 eleitores.

Durante a espera, Moro foi abordado e cumprimentado por outros eleitores e recebeu aplausos na saída do prédio.

“Gostaria de votar de pijama… Mas não posso”, brincou Moro com um eleitor que o abordou para conversar na fila e falou sobre o frio e a chuva típicos da capital do Paraná na manhã deste domingo.

Enquanto aguardava, Moro foi exaltado por curiosos. “Esse é o cara”, disse uma eleitora que parou para fazer fotos do juiz e comemorou ao receber um sorriso em resposta.

Depois de registrar sua digital no equipamento da urna eletrônica, Moro tirou a “cola” da carteira para votar. Depois, guardou o papel em seu bolso e saiu sorrindo.

Ao ser questionado pela imprensa se poderia falar, Moro respondeu: “Vou ficar devendo. Hoje é o dia dos políticos”.

Sigilo. Moro tornou público na última semana o primeiro termo da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, que atinge o PT e Luiz Inácio Lula da Silva – que está preso e condenado em Curitiba pela Lava Jato.

Usada pelos adversários para atacar o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, a delação tornada pública a seis dias da votação resultou em uma reclamação do partido ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que terá que responder nos próximos dias.

Na decisão, o juiz afirmou que era necessário instruir a ação penal contra Lula, sobre suposta propina de R$ 12 milhões da Odebrecht na compra de um terreno para o Instituto Lula, que tem Palocci também como réu, e também para a “ampla defesa dos coacusados”.