Moro usa fotos de Lula com Geddel e Aécio para negar suspeição por imagem com Doria

Moro usa fotos de Lula com Geddel e Aécio para negar suspeição por imagem com Doria

Juiz da Lava Jato sustenta que 'uma fotografia em evento social ou público nada significa além de que as pessoas ali presentes tiraram uma fotografia'

Luiz Vassallo e Julia Affonso

24 Maio 2018 | 23h33

Reprodução

O juiz federal Sérgio Moro usou ironias e fotos do ex-presidente Lula ao lado do senador Aécio Neves (PSDB) e do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) ao negar suspeição movida pela defesa do petista após ter posado para imagem ao lado do ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB).

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Moro deu palestra em Nova York promovida pelo Grupo Lide, empresa fundada pelo pré-candidato tucano ao governo de São Paulo. Um dia antes, participou de jantar anual da Brazilian American Chamber of Commerce de Nova York. Durante o evento, no qual foi premiado como personalidade do ano, o magistrado posou para foto com Doria.

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O fato motivou a defesa de Lula a pedir que o magistrado fosse afastado de casos relacionados ao petista. A defesa sustentou que a conduta do juiz da Lava Jato é ‘incompatível com a imparcialidade e a independência que se esperam de quem deverá julgar esta causa criminal’.

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Ao decidir que não é suspeito para julgar Lula, Moro afirmou que Doria ‘não figura na diretoria da Câmara de Comércio ou no quadro executivo’. “Ocorre que, como havia recebido o mesmo prêmio no ano anterior, (Doria) esteve presente no jantar, ocasião na qual foi tirada a fotografia com o ora julgador”.

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Ainda argumentou que ‘uma fotografia em evento social ou público nada significa além de que as pessoas ali presentes tiraram uma fotografia’.

Reprodução de foto apontada por Moro em despacho

O magistrado indicou que ‘é possível encontrar, na rede mundial de computadores, dezenas de fotos até mesmo’ de Lula ‘com políticos oposicionistas, o que também não significa que, por conta da foto, eram ou se tornaram aliados políticos’, citando fotos do petista com o senador Aécio Neves, alvo da Operação Patmos por suposta propina de R$ 2 milhões da JBS.

“Também há fotos do excipiente (Lula) com políticos atualmente presos, o que não significa necessariamente que são cúmplices na atividade criminal específica”, afirmou Moro, sobre Lula, preso
desde 7 de abril, ao lado de Geddel, este aprisionado em setembro de 2017 pelo bunker de R$ 51 milhões.

Reprodução de foto apontada por Moro em despacho

O magistrado fez uma ponderação. “Seria de fato melhor para qualquer juiz evitar fotos com quaisquer agentes políticos, independentemente de seu mérito, a fim de evitar interpretações equivocadas ou incidentes processuais infundados, mas, em eventos públicos ou sociais, fotografias podem ser tiradas.”
O juiz da Lava Jato ainda afirmou não ter ‘relação especial com João Doria Jr., nem ter agido de qualquer forma para promovê-lo eleitoralmente’.

“O nome dele (Doria) não foi mencionado pelo julgador na palestra ou no discurso até para evitar confusões da espécie”, segue Moro. “Os eventos em questão não tiveram natureza político-partidária. Aliás, rigorosamente, sequer foi iniciado o período legal de campanha, tendo a própria defesa do excipiente (Lula) denominado-o de pré- candidato”, escreveu.

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“A defesa do ex-presidente Lula expôs em manifestação anexada ao processo todos os fundamentos da suspeição e aguarda o julgamento da medida pelo TRF4. A manifestação do juiz de primeiro grau acabou por reforçar sua suspeição ao tentar comparar sua situação a fotografias tiradas com Lula, que é
ex-Presidente da República e líder político, sem os deveres inerentes à magistratura”

CRISTIANO ZANIN MARTINS