Moro: ‘Que sejam identificados os autores da rede de fake news e de ofensas em massa’

Moro: ‘Que sejam identificados os autores da rede de fake news e de ofensas em massa’

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública afirmou que a Polícia Federal tem que trabalhar 'com autonomia' e destacou despacho do ministro Alexandre de Moraes que blindou delegados do inquérito sigilo no Supremo

Paulo Roberto Netto

27 de maio de 2020 | 16h32

O ex-ministro Sérgio Moro afirmou que é preciso apurar e identificar ‘os autores da rede de fake news e de ofensas em massa’ que são alvos do inquérito sigiloso do Supremo Tribunal Federal. Nas redes sociais, o ex-juiz destacou despacho do ministro Alexandre de Moras, relator do caso, que blindou delegados da investigação após suas acusações de ‘interferências políticas’ de Bolsonaro na Polícia Federal.

“A Polícia Federal tem que trabalhar com autonomia. Que sejam apurados os supostos crimes no RJ e também identificados os autores da rede de fake news e de ofensas em massa. Diante das denúncias de interferência na PF, o Min.Alexandre manteve os delegados que estavam na investigação”, afirmou Moro.

Após a saída de Moro com acusações de interferências do Planalto no comando da Polícia Federal, Moraes emitiu despacho destacando que as investigações sobre ‘fake news’ contra o Supremo devem ser conduzidas pela equipe dos delegados federais Igor Romário de Paula, Denisse Dias Rosas Ribeiro, Fábio Alceu Mertens e Daniel Daher.

A medida foi vista como blindagem para impedir eventuais trocas de investigadores após a saída de Maurício Valeixo, ex-diretor-geral da Polícia Federal. A mesma equipe também foi protegida no inquérito do STF que apura suposto financiamento de atos antidemocráticos realizados em Brasília.

O inquérito das fake news é um dos que preocupam o presidente. A investigação identificou empresários bolsonaristas que estariam financiando ataques contra ministros da Corte nas redes sociais, conforme revelou o Estado. Nesta quarta, a Polícia Federal foi às ruas e realizou buscas e apreensões contra nomes ligados ao ‘gabinete do ódio’ e aliados do presidente Jair Bolsonaro.

O ex-ministro de Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Adriano Machado / Reuters

A ação mira o que Moraes classificou como associação criminosa dedicada a ataques ofensivos, subversão da ordem e quebra da normalidade democrática.

A ordem do ministro também atingiu empresários que supostamente estariam financiando o grupo criminoso, como o dono da rede de lojas de departamento Havan, Luciano Hang; o dono da Smart Fit, Edgard Gomes Corona; Otavio Fakhoury, financiador do site Crítica Nacional; o humorista Reynaldo Bianchi Júnior; o coordenador do Bloco Movimento Brasil Winston Rodrigues Lima. Todos foram alvo de quebra de sigilo que abrange até o período das eleições presidenciais de 2018.

Relatório técnico da Polícia Federal também identificou o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos e o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) como ‘influenciadores’ de divulgação de publicações com ofensas e ameaças ao Supremo Tribunal Federal. De acordo com as investigações, o grupo de ‘influenciadores’ atua na disseminação e propagação de publicações com ofensas e ameaças aos ministros do Supremo com auxílio de robôs.

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