Moro pedirá demissão com discurso contundente

Moro pedirá demissão com discurso contundente

Postura de Bolsonaro perante a pandemia do coronavírus também pesou da decisão do ex-juiz; a interlocutores, o ministro repetiu ontem uma frase do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, de que o Brasil está perdendo um 'avião por dia', em relação ao número de mortes pela doença

Andreza Matais e Fausto Macedo

24 de abril de 2020 | 10h14

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, fala ao telefone na tarde desta quinta-feira na sede do ministério, em Brasília. Foto: Gabriela Biló/ESTADÃO

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, vai anunciar sua demissão do cargo logo mais em pronunciamento a jornalistas, marcado para as 11h. O Estado apurou que ele fará uma declaração bastante contundente a respeito da sua decisão de deixar o governo após o presidente Jair Bolsonaro impor um nome para comandar a Polícia Federal. A demissão de Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral foi publicada na manhã desta sexta-feira, 24, no Diário Oficial da União. No discurso, o ministro fará um balanço da Lava Jato, das ações do ministério e irá explicitar os motivos da sua saída.

A instituição é um dos braços fortes do Ministério da Justiça e a interferência do Palácio do Planalto na escolha do diretor-geral indica possível orientação política nas investigações do órgão.

Outro motivo que levou Moro a decidir deixar o governo é a postura de Bolsonaro perante a pandemia de coronavírus. O presidente tem contrariado orientações do órgão de saúde e provocado aglomerações em suas saídas constantes, além de se mostrar contrário ao isolamento social, atualmente a única medida considerada eficaz de combate da doença.

A interlocutores, o ministro repetiu ontem uma frase do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, de que o Brasil está perdendo um “avião por dia”, em relação ao número de mortes pela doença. Ontem, foi registrado novo recorde, com 407 vítimas da covid-19. Diferentemente de Mandetta, que deixou o governo “sem atirar”, Moro quer deixar a sua marca na saída.

Na Polícia Federal, a expectativa é de que Bolsonaro anuncie o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, como chefe da PF. Ele é considerado um bom policial, porém muito inexperiente para assumir um cargo deste tamanho. Tem apenas 15 anos na corporação.

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