Moro mantém Bendine na carceragem da PF

Moro mantém Bendine na carceragem da PF

Após 'consenso' entre defesa e procuradores da Lava Jato, juiz suspende ordem de transferência do ex-presidente da Petrobrás para presídio estadual de Curitiba

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

09 Agosto 2017 | 05h00

Aldemir Bendine tem transferência para presídio estadual suspensa. Foto: Nacho Doce/Reuters

O juiz federal Sérgio Moro suspendeu, nesta terça-feira, 8, a transferência do o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine da carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, base da Operação Lava Jato, para o Complexo Médico-Penal em Pinhais, região metropolitana da capital paranaense. A transferência havia sido requerida pela polícia.

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O Complexo de Pinhais é para onde são levados os prisioneiros da Lava Jato, condenados ou sob investigação. Bendine foi preso em 27 de julho na Operação Cobra, fase 42 da Lava Jato, por suspeita de propina de R$ 3 milhões da Odebrecht.

A defesa de Bendine pediu a reconsideração da ordem de transferência do investigado. Nesta segunda-feira, 7, o Ministério Público Federal solicitou ao juiz que suspenda a transferência, solicitada pela PF.

“Diante do consenso entre as partes, suspendo a transferência de Aldemir Bendine da carceragem da Polícia Federal para o Complexo Médico Penal”, decidiu Moro.

Defesa. Os advogados Pierpaolo Cruz Bottini e Cláudia Vara San Juan Araujo, que defendem o ex-presidente da Petrobrás, haviam relatado que Bendine “tem uma filha que possui desordens psiquiátricas e que tem, como principal referência afetiva o pai”.

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“Dessa forma, as visitas semanais, único contato entre o peticionário e a família enquanto estiver custodiado, serão absolutamente imprescindíveis para que não haja uma piora do quadro clínico da jovem”, afirmaram os defensores.

“Ocorre que, conforme é cediço, as visitas no Complexo Médico Penal pressupõem uma rigorosa revista íntima, que, em virtude do caráter de exposição a ela inerente, poderá servir de agravante à já delicada situação da saúde mental da garota. Dessa forma, por razões humanitárias, pede-se a reconsideração da decisão em questão, a fim de que, ao menos por ora, seja o Peticionário mantido na carceragem da Polícia Federal.”

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