Moro mantém ação contra mulher de Eduardo Cunha

Moro mantém ação contra mulher de Eduardo Cunha

Juiz da Lava Jato rejeita pedido da defesa de Cláudia Cruz, que solicitou suspensão do processo em que ela é acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas

Mateus Coutinho e Julia Affonso

02 Agosto 2016 | 05h30

Cláudia Cruz e o juiz Sérgio Moro. Fotos: Reprodução e Estadão

Cláudia Cruz e o juiz Sérgio Moro. Fotos: Reprodução e Estadão

O juiz Sérgio Moro negou nesta segunda-feira, 1, os pedidos da jornalista mulher do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Cláudia Cruz para suspender a ação penal contra ela por lavagem de dinheiro e evasão de mais de US$ 1 milhão provenientes de crimes praticados por Cunha no esquema de corrupção na Petrobrás.

Em seu despacho, o juiz da Lava Jato analisa ponto a ponto os argumentos da defesa de 140 páginas de Cláudia e até acata em parte alguns, como o pedido para ter acesso à íntegra do processo na Suíça que quebrou o sigilo dela e de seu marido que Moro encaminha ao Ministério Público Federal para que peça o material para a Suíça. Ainda assim, o magistrado afirma que “não se vislumbra” nenhum motivo para suspender o processo.

“Não tem qualquer propósito pretender acesso à integralidade do processo de investigação realizado na Suíça para questionar a sua validade perante os Tribunais brasileiros”, assinalou o magistrado, pontuando que, caso tivesse interesse em questionar aquela investigação que veio para o Brasil, Cláudia Cruz deveria contratar um advogado na Suíça para questionar o procedimento lá.

Ele também negou o pedido para colocar em sigilo a ação, mas pediu para que a defesa de Cláudia indique quais documentos que envolvem dados pessoais protegidos por lei que ela deseja colocar em sigilo.  O juiz da Lava Jato também negou o argumento de cerceamento e defesa e o pedido para considerar ilegais as provas encaminhadas pela Suíça.

“Não vislumbro na longa peça (de defesa) nenhuma causa de absolvição sumária, como atipicidade manifesta ou a presença manifesta de causa excludente do crime, motivo pelo qual a instrução deve prosseguir”, segue o magistrado.

A defesa de Cláudia é coordenada pelo criminalista Pierpaolo Bottini.

Ao final, Moro ainda pede que a defesa de Cláudia explique no prazo de cinco dias o porquê de ter chamado uma testemunha de Cingapura, e que ela providencie as perguntas e a documentação necessária para a cooperação com aquele país.