Moro manda Procuradoria e Odebrecht informarem se têm originais que Lula quer

Moro manda Procuradoria e Odebrecht informarem se têm originais que Lula quer

Defesa do ex-presidente questiona três documentos anexados à ação penal sobre supostas propinas da empreiteira ao petista

Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

18 de outubro de 2017 | 05h00

Sergio Moro. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

O juiz federal Sérgio Moro intimou a Procuradoria da República, no Paraná, a Odebrecht e a defesa do empresário Marcelo Odebrecht a informarem se possuem o original de documentos solicitados pelo ex-presidente Lula. O alvo dos advogados do petista são documentos anexados à ação sobre supostas propinas do Grupo para o ex-presidente, na Operação Lava Jato.

“Pelo que o Juízo compreendeu os documentos questionados foram extraídos do sistema de contabilidade paralela da Odebrecht, tendo sido digitalizados e ali inseridos, depois sido impressos e apresentados ao Juízo, o que está sendo objeto da perícia realizada na ação penal”, narrou Moro.

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“Importa saber se ainda existem os documentos originais, antes da digitalização e introdução no sistema de contabilidade paralela da Odebrecht.”

O magistrado determinou a intimação do Ministério Público Federal, da defesa de Marcelo Bahia Odebrecht e da Odebrecht ‘para que informem se ainda existem os documentos originais, antes da digitalização e inserção no sistema de contabilidade paralela da Odebrecht’.

“Se positivo, para que os apresentem na Secretaria do Juízo em cinco dias”, ordenou Moro.

Incidente de falsidade. A defesa de Lula questionou três documentos anexados à ação penal. Para todos, pediu ‘realização de exames grafoscópico e documentoscópico’.

Os advogados contestaram uma ordem de pagamento que teria duas versões, ‘uma, com apenas uma assinatura e outro com duas assinaturas’. Os defensores querem saber se ‘os documentos contestados são os mesmos e se há uma versão do documento com apenas uma assinatura e outro com duas assinaturas’.

Um papel com anotações manuscritas também foi alvo da defesa de Lula, que apontou a existência de ‘dois tipos de caligrafia’ no documento. “São anotações a tinta e, aparentemente uma a lápis, efetuadas com dois tipos de caligrafia, que não tiveram os autores identificados”, relatam os defensores.

Os criminalistas querem saber se ‘a inscrição “P. Melo” foi inserida posteriormente às anotações em tinta azul, em que momento foi realizada a inserção da inscrição “P. Melo” e ainda se o Sr. Paulo Melo subscreveu esse documento’.

O terceiro documento na mira dos defensores do petista é um e-mail com ‘inscrições manuscritas’ apresentados por Marcelo Odebrecht.

“Constata-se que foram juntados, por Marcelo Odebrecht, diversos documentos com anotações e grifos. Não é possível aceitar que documentos desta natureza sejam agregados aos autos sem que se verifique, criteriosa e cuidadosamente, sua idoneidade”, contesta a defesa.

Ao juiz Moro, os advogados pediram que ‘seja determinado ao Ministério Público Federal e ao corréu-delator que informem se dispõem das vias originais dos documentos aqui contestados, juntados, para que essas vias também sejam usadas na realização de prova pericial’.

“Seja determinada a realização de exames grafoscópico e documentoscópico sobre cada um dos documentos ora impugnados, em suas versões originais, dando-se às partes a oportunidade de formulação de quesitos e a indicação de assistente-técnico”, solicitaram os advogados.

A Odebrecht fechou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República – 77 executivos da empreiteira fizeram delação premiada.

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