Moro manda PF descobrir autor da fórmula de propina atribuída a Lula

Moro manda PF descobrir autor da fórmula de propina atribuída a Lula

Juiz federal também pediu que a Polícia Federal descubra quando foi criada a equação ((3* 1057)+ 8217 + 1034) = 12.42 , que constava em documentos do departamento de propinas da Odebrecht associados ao Instituto Lula

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Luiz Vassallo

18 de outubro de 2017 | 15h22

O juiz federal Sérgio Moro mandou, nesta terça-feira, 18, a Polícia Federal fazer perícia na planilha Italiano do departamento de propinas da Odebrecht para descobrir quando e por quem foi criada a fórmula matemática que levou a Lava Jato a identificar supostas propinas de R$ 12,4 milhões da empreiteira ao ex-presidente Lula.

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Os R$ 12,4 milhões em propinas da Odebrecht, segundo a Procuradoria da República, são referentes ao imóvel onde seria sediado o Instituto Lula e o apartamento 121 no edifício Hill House, em São Bernardo do Campo, supostamente ocultados por meio de contratos com terceiros, como a DAG engenharia, de Demerval Souza, amigo de Marcelo Odebrecht e Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, que tinha passe livre no Palácio do Planalto no governo Lula.

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A equação ((3* 1057)+ 8217 + 1034) = 12.422 estava nos arquivos cifrados do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – que fechou delação e leniência na Lava Jato em janeiro 2017. Ela estava no mesmo registro de valores do “Amigo”, codinome de Lula. Segundo a Lava Jato, ela representa o cálculo de gastos que a construtora teria com o imóvel vizinho ao apartamento de Lula em São Bernardo do Campo e ao terreno onde seria sediado o Instituto.

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A fórmula estava em um dos itens da conta “Italiano”, que chegou a ter R$ 300 milhões à disposição de Lula e do PT. O próprio “Italiano”, o ex-ministro Antonio Palocci, e o empresário e delator Marcelo Odebrecht, confessaram o acerto da “conta corrente”.

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Para a Lava Jato, a primeira parte da equação “(3* 1057) = 3.171” é o valor de R$ 3,1 milhões, do saque em dinheiro vivo das contas do setor de propinas da Odebrecht, usados para as despesas “por fora” da operação.

A segunda parte “8217” registra os R$ 8,2 milhões gastos pela DAG Construtora, do amigo de Marcelo Odebrecht – preso desde junho de 2015 -, usada como “laranja” da Odebrecht na compra do prédio para o Instituto Lula. E a terceira parte “1.034” é dos R$ 1 milhão gastos com o apartamento 121 do Hill House e as comissões para o “laranja” de Lula, o aposentado Glaucos da Costamarques – primo do pecuarista José Carlos Bumlai – e o advogado Roberto Teixeira, compadre do petista.

Em ofício enviado à Polícia Federal, o magistrado pede ‘as providências necessárias para a realização de perícia no arquivo denominado “Planilha Especial Italiano” (arquivo esse que se encontra em posse da Polícia Federal em Curitiba/PR), no prazo de 30 dias’ para esclarecer duas questões:

“a) identificação da data e horário em que foi realizada a inscrição da fórmula “((3*1057) + 8217 + 1.034)” no referido arquivo eletrônico

“b) identificação do IP do equipamento informático que realizou a inserção da fórmula no arquivo eletrônico”.

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“A Força Tarefa da Lava Jato não fez qualquer prova sobre a base da acusação, ou seja, de que valores provenientes de 8 contratos específicos firmados pela Petrobras teriam sido usados para adquirir imóveis destinados ao ex-Presidente Lula ou ao Instituto Lula. A perícia irá confirmar essa situação, reforçando que Lula não foi beneficiado por qualquer valor oriundo da Petrobras ou de origem ilícita.

O apartamento citado na denúncia não é de propriedade do ex-Presidente Lula. Ele foi alugado por D. Marisa, que recebeu quitação do valor dos aluguéis por meio de recibos emitidos pelo proprietário. Já o outro imóvel jamais foi solicitado ou recebido pelo Instituto Lula, que nunca teve a posse do bem e tampouco funcionou no local”.

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