Moro isola Bendine de operador que o incriminou

Moro isola Bendine de operador que o incriminou

Alegando 'motivos de segurança', juiz federal ordena que ex-presidente da Petrobrás e publicitário André Gustavo Vieira da Silva sejam separados na cadeia da Lava Jato

Luiz Vassallo

23 Novembro 2017 | 05h00

Bendine e André Gustavo Vieira da Silva. Foto: Reprodução de vídeos da Justiça Federal do Paraná

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato em primeira instância,  mandou isolar o ex-presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, nesta quarta-feira, 22, do publicitário André Gustavo Vieira da Silva, por motivo de segurança – ambos estão encarcerados no Complexo Médico Penal de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. A decisão veio horas depois de André Gustavo confessar seus crimes, admitir o desejo de delatar, e incriminar Bendine em interrogatório. Ele disse ter recebido R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht e repassado R$ 950 mil ao ex-chefe da Petrobrás.

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Moro impôs a transferência do ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil para o dia 27 e ainda determinou que ambos fiquem separados enquanto estiverem no mesmo presídio.

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“Fica ainda determinado à autoridade policial responsável pela segurança da carceragem da Polícia Federal que até então mantenha ambos em celas separadas e distantes, com proibição de contato entre eles”.

O juiz da Lava Jato ainda determinou ‘ao próprio acusado Aldemir Bendine que não se aproxime do acusado André Gustavo e que com ele não fale’.

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Aldemir Bendine está preso desde o dia 27 de julho, alvo da Operação Cobra, 42ª fase da Operação Lava Jato, e foi denunciado por supostas propinas de R$ 3 milhões da Odebrecht. André Gustavo Vieira da Silva foi apontado como operador do repasse ao ex-presidente da Petrobrás.

O publicitário resolveu confessar, nesta quarta-feira, 22, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, ter recebido repasses de R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht e dividido o montante com o ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil Aldemir Bendine.

“Eu cheguei a falar com ele para fazer metade, metade, ele sugeriu 20%, e ele disse: ‘vai resolvendo que a gente conversa’. Não chegamos a determinar como ficar no final. A verdade é que eu recebi os 3 milhões, paguei um milhão de uma dívida minha e 950 mil a Aldemir Bendine e um milhão eu paguei de imposto”.

André Gustavo ainda disse ter utilizado Marcelo Casimiro, um taxista de sua confiança, para pegar os valores junto a representantes da empreiteira, mediante a apresentação de senhas. Ele também confessa que os valores ficaram em um flat em nome de seu irmão, Antônio Carlos, também réu na ação penal. No entanto, o publicitário diz que o familiar não conhecia os esquemas.

Segundo André Gustavo, os repasses ao ex-presidente da Petrobrás foram feitos em duas ocasiões. O primeiro repasse, de R$ 650 mil, num almoço com o executivo Fernando Reis, da Odebrecht, em São Paulo. “Bendine chegou, entreguei a bolsa a ele, ele pediu licença, saiu. Na sequência, ele voltou, perguntou o que havia lá, e eu disse: ‘o valor”‘.

Outra entrega, de R$ 350 mil, teria acontecido em uma carona que Bendine deu ao publicitário ao aeroporto de Congonhas. “entrei no carro com ele e entreguei”.

Em seguida, Bendine disse que queria falar, após ‘sete meses de pesadelo’, mas disse ter mudado de estratégia após as acusações de seu operador.

“Estava ansioso,  depois desse pesadelo de 7 meses, de ter a oportunidade, pela primeira vez, de me manifestar. Entretanto, eu percebo que sou vítima de um grande complô, uma série de mentiras de pessoas que criam mentiras para comprar liberdade”, afirmou.

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