Moro interroga mulher de Eduardo Cunha

Moro interroga mulher de Eduardo Cunha

Cláudia Cruz, ré em ação penal por lavagem de US$ 1 milhão em propinas supostamente recebidas pelo ex-presidente da Câmara, vai depor nesta quarta-feira, 16, na Justiça Federal em Curitiba

Mateus Coutinho, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

16 de novembro de 2016 | 05h30

Cláudia Cruz e o juiz Sérgio Moro. Fotos: Reprodução e Estadão

Cláudia Cruz e o juiz Sérgio Moro. Fotos: Reprodução e Estadão

A mulher do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ) vai ser interrogada nesta quarta-feira, 16, pelo juiz Sérgio Moro, em ação penal na Justiça Federal em Curitiba, base da Lava Jato.

Cláudia é ré acusada de evasão e lavagem de ao menos US$ 1 milhão em contas não declaradas no exterior. Segundo a Procuradoria da República, estes valores vieram de propinas recebidas por Eduardo Cunha para “viabilizar” a aquisição, pela Petrobrás, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

Com apoio do Ministério Público da Suíça, a Lava Jato rastreou os recursos que aportaram na conta de Cláudia e identificou que eles foram utilizados, por exemplo, para pagar compras de luxo feitas com cartões de crédito no exterior.

Parte dos gastos dos cartões de crédito, que totalizaram US$ 854.387,31, foram utilizados, dentre outras coisas, para aquisição de artigos de grife, como bolsas, sapatos e roupas femininas. Outra parte dos recursos foi destinada para despesas pessoais diversas da família de Cunha, entre elas o pagamento de empresas educacionais responsáveis pelos estudos dos filhos do deputado afastado, como a Malvern College (Inglaterra) e a IMG Academies LLP (Estados Unidos).

Cláudia ainda teria mantido, segundo a denúncia, depósitos não declarados às repartições federais na offshore Köpek em montante superior a US$ 100 mil entre os anos de 2009 e 2014, o que constitui crime contra o sistema financeiro nacional.

Ela responde ao processo criminal em liberdade. Eduardo Cunha está preso por ordem do juiz Sérgio Moro, que comanda a Lava Jato na primeira instância judicial. Ele é réu em outra ação em Curitiba, acusado de receber propinas no esquema de corrupção da Petrobrás em contas não declaradas no exterior.

 

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