Moro, em Nova York, afirma que ‘não há motivação política na Lava Jato’

Moro, em Nova York, afirma que ‘não há motivação política na Lava Jato’

Em palestra na Columbia University, juiz federal afirma que a operação que conduz desde 2014 "é uma grande oportunidade para combater o crime de pessoas poderosas

Ricardo Leopoldo, correspondente do Estadão em Nova York

06 de fevereiro de 2017 | 16h46

sergiomorocolumbia

“Não há ações de motivação política na Lava Jato”, afirmou nesta segunda-feira, 6, o juiz federal Sérgio Moro, em palestra na Columbia University, em Nova York.

O magistrado que conduz a maior operação já deflagrada no Brasil contra a corrupção se contrapôs a reclamações de críticos da Lava Jato que apontam a ação da Justiça com foco exclusivamente político. “Alguns reclamam e dizem que a Operação provoca a criminalização da política. Mas não é adequada esta avaliação. O problema é quem cometeu crimes”, destacou.

De acordo com Moro, as avaliações dos promotores e juízes que atuam na Lava Jato são baseadas em evidências e não em avaliações pessoais ou políticas. Ele apontou que a Operação permitiu o julgamento e condenação de executivos de construtoras e isso também aconteceu com alguns ex-parlamentares, mas em primeira instância.

“Contudo, graças ao STF não precisamos mais esperar a condenação do acusado por um longo tempo”, disse Moro.

Na avaliação do juiz, a Operação Lava Jato ‘é uma grande oportunidade para combater o crime de pessoas poderosas’ no Brasil.

Ele observou que antes da Lava Jato, normalmente o sistema de Justiça do País não trabalhava bem com casos complexos relativos a pagamento de propinas e corrupção. “Acusados poderosos conseguem postergar ações judiciais””, comentou.

Para o juiz da Lava Jato, o foro privilegiado de autoridades perante o Supremo Tribunal Federal ‘muitas vezes funciona como um escudo para proteção’.

“Mas o Supremo atuou contra poderosos no caso do Mensalão”, apontou, em alusão ao primeiro grande escândalo da era Lula, no primeiro mandato do petista.

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