Moro e Manuela prestam depoimento nesta quarta na ação contra hackers

Moro e Manuela prestam depoimento nesta quarta na ação contra hackers

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-deputada vão ser ouvidos como testemunhas na Justiça Federal em Brasília no processo da Operação Spoofing, que levou para o banco dos réus grupo que invadiu comunicações de quase mil pessoas

Paulo Roberto Netto

07 de julho de 2020 | 20h55

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e a ex-candidata à vice-presidente Manuela D’Ávila (PCdoB) prestarão depoimento nesta quarta, 8, no processo da Operação Spoofing, que mirou a ação de hackers para a invasão e roubo de mensagens de celulares de procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. A oitiva deverá ser realizada a partir das 14h30, por videoconferência. Ambos vão depor como testemunhas.

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Moro foi uma das vítimas das ações dos hackers liderados por Walter Delgatti Netto, o ‘Vermelho’. Manuela D’Avila, por sua vez, foi citada por ‘Vermelho’ como o contato entre o grupo e o jornalista Glenn Greenwald, editor-fundador do The Intercept Brasil. À época, a ex-deputada federal afirmou que também teve seu aparelho invadido e confirmou que repassou ao ‘invasor’ o contato de Greenwald.

O procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato, também foi alvo do crime e teve parte de suas conversas divulgadas pelo site The Intercept Brasil, em uma série de reportagens conhecida como ‘Vaza Jato’.

Além dele, quase mil pessoas, incluindo jornalistas e autoridades dos Três Poderes, tiveram suas conversas roubadas pelo grupo.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Foto: Dida Sampaio / Estadão

De acordo com o Ministério Público Federal, os hackers executavam crimes cibernéticos por meio de três frentes: fraudes bancárias, invasão de dispositivos informáticos, como celulares, e lavagem de dinheiro.

‘Vermelho’ e Thiago Eliezer Martins Santos atuavam como supostos mentores e líderes do grupo enquanto Danilo Cristiano Marques era ‘testa-de-ferro’, proporcionando meios materiais para que os crimes fossem executados. Gustavo Henrique Elias Santos teria desenvolvido técnicas que permitiram a invasão do Telegram e perpetrava fraudes bancárias.

Já Suelen Oliveira, mulher de Gustavo, agia como laranja e ‘recrutava’ nomes para participarem das falcatruas. E, por fim, Luiz Molição invadia terminais informáticos, aconselhava Walter sobre condutas que deveriam ser adotadas.

O jornalista Glenn Greenwald foi denunciado pela Procuradoria, mas o juiz Ricardo Leite, da Justiça Federal do Distrito Federal, rejeitou os argumentos de que ele tivesse auxiliado no crime.

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