Moro diz que fala sobre destruição de mensagens foi ‘interpretação equivocada’ e provocou ‘tempestade em copo d’água’

Moro diz que fala sobre destruição de mensagens foi ‘interpretação equivocada’ e provocou ‘tempestade em copo d’água’

Em depoimento, ex-ministro alega que sua declaração buscava esclarecer às autoridades que nenhuma mensagem obtida pelos hackers seria utilizada com outro propósito além de identificar os responsáveis pelo ataque

Paulo Roberto Netto e Rayssa Motta

08 de julho de 2020 | 20h12

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro se explicou perante à Justiça sobre a declaração em que defendeu a destruição de mensagens obtidas em ação de hackers contras autoridades do País, em junho do ano passado. À época, o ex-juiz da Lava Jato tinha o entendimento de que as mensagens não deveriam sequer ser examinadas, pois significaria uma nova violação de privacidade das vítimas.

Em depoimento nesta quarta, 8, Moro afirmou que se tratou de uma ‘interpretação equivocada’ de sua declaração, que provocou uma ‘tempestade em copo d’água’. O ex-ministrou foi ouvido pela 10ª Vara Federal de Brasília na condição de testemunha.

“É evidente que nesse contexto as autoridades que tiveram a sua privacidade, seja pessoal ou seja privacidade nos atos de comunicação relativamente a atos oficiais, devassadas, é evidente que isso, na minha opinião jurídica que permanece até hoje, não poderia ser utilizado para outras finalidades”, explicou Moro.

“Então, na verdade, o que eu apenas, quando comuniquei a algumas autoridades: ‘olha o seu telefone foi hackeado’, o que eu quis dizer foi que: ‘olha, só estou te informando por uma questão de segurança, essas mensagens a Polícia Federal não vai utilizar para nenhum outro propósito que não a punição dos hackeadores”, continuou.

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro durante depoimento por videoconferência. Foto: Mauro Pimentel / AFP

Segundo o ex-juiz, ‘não tem intenção de esconder nada’ de seu trabalho na Lava Jato ou como ministro de Estado. Moro frisou que a divulgação de sua fala provocou uma ‘celeuma’, que ‘não tinha nada a ver com destruição de prova’.

“Eu só falei que a prova não seria utilizada para as autoridades que foram atacadas. Quem vai decidir o que vai ser feito com mensagem e o que não vai ser, evidente são as autoridades competentes: a Polícia Federal, no caso o juiz do processo, eventuais outras autoridades judiciárias, o Ministério Público se manifestando”, afirmou. “Foi feita uma tempestade em um copo d’água que não tinha razão de ser”.

Moro foi ouvido como testemunha na ação penal perante a 10ª Vara Federal de Brasília que colocou seis pessoas no banco dos réus, incluindo Walter Delgatti Netto, o ‘Vermelho’. Segundo a Procuradoria, os hackers executavam crimes cibernéticos por meio de três frentes: fraudes bancárias, invasão de dispositivos informáticos, como celulares, e lavagem de dinheiro.

‘Vermelho’ e Thiago Eliezer Martins Santos atuavam como supostos mentores e líderes do grupo enquanto Danilo Cristiano Marques era ‘testa-de-ferro’, proporcionando meios materiais para que os crimes fossem executados. Gustavo Henrique Elias Santos teria desenvolvido técnicas que permitiram a invasão do Telegram e perpetrava fraudes bancárias.

Já Suelen Oliveira, mulher de Gustavo, agia como laranja e ‘recrutava’ nomes para participarem das falcatruas. E, por fim, Luiz Molição invadia terminais informáticos, aconselhava Walter sobre condutas que deveriam ser adotadas.

jornalista Glenn Greenwald, editor-fundador do site The Intercept Brasil, foi denunciado pela Procuradoria, mas o juiz Ricardo Leite, da Justiça Federal do Distrito Federal, rejeitou os argumentos de que ele tivesse auxiliado no crime. O site publicou diversas reportagens conhecidas como ‘Vaza Jato’ a partir de mensagens de Telegram de membros da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, incluindo o líder dos procuradores, Deltan Dallagnol.

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