Moro diz que Battisti ganhou asilo por ‘motivações político-partidárias’

Moro diz que Battisti ganhou asilo por ‘motivações político-partidárias’

Futuro ministro da Justiça do governo Bolsonaro diz que 'em boa hora' foi revisto benefício a italiano que teve a prisão decretada pelo ministro Luiz Fux e está foragido

Larissa Lima e Luisa Marini / ESPECIAIS PARA O ESTADO / BRASÍLIA

17 de dezembro de 2018 | 17h59

Sérgio Moro e Cesare Battisti. FOTOS: WILTON JUNIOR E GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

O futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou nesta segunda-feira, 17, que não cabe ao Brasil interferir na condenação de Cesare Battisti e que o asilo concedido ao italiano anos atrás teve motivações ‘político-partidárias’.

“A Itália é um país que tem o Judiciário forte, independente e não cabe ao Brasil ficar avaliando o mérito ou não da condenação”, disse Moro a jornalistas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transição. “Na minha avaliação, o asilo que foi concedido a ele (Battisti) anos atrás foi um asilo com motivações político-partidárias e em boa hora isso foi revisto.”

O italiano foi condenado em seu país à prisão perpétua por quatro assassinatos nos anos 1970.

Na quinta passada, 13, o ministro do Supremo Luiz Fux revogou uma liminar que concedia habeas corpus a Battisti, determinou sua prisão cautelar e abriu caminho para sua extradição.

Em 31 de dezembro de 2010, último dia de seu mandato, o então presidente Lula concedeu asilo a Battisti.

Battisti ainda não foi encontrado pela Polícia Federal. Ele é oficialmente considerado foragido. Neste domingo, 16, a PF divulgou 20 imagens de Battisti com disfarces que ele pode estar usando para driblar os investigadores que o procuram.

Moro disse que os países têm que cooperar contra a criminalidade e que a cooperação jurídica internacional não pode ser movida por critérios políticos partidários.

“Ele (Battisti) retornando à Itália, esperando que ele seja encontrado, cabe a ele levar as reclamações quanto eventual injustiça da condenação para os órgãos de justiça italianos que tem plenas condições de decidir qualquer problema que tenha havido eventualmente na condenação”, declarou o ex-juiz da Lava Jato.

Moro destacou ainda que considera as Cortes de justiças italianas ‘notórias pela sua independência’.

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