Moro deixa na prisão ex-gerente da Petrobrás que repatriou R$ 48 mi de propina

Moro deixa na prisão ex-gerente da Petrobrás que repatriou R$ 48 mi de propina

Juiz da Lava Jato acolhe parecer do Ministério Público Federal e converte prisão temporária de Márcio de Almeida Ferreira em preventiva, por tempo indeterminado

Julia Affonso e Fausto Macedo

08 de maio de 2017 | 19h10

Edifício da Petrobrás, no Rio. Foto: André Dusek/Estadão

O juiz federal Sérgio Moro atendeu a pedido da força-tarefa da Operação Lava Jato e converteu a prisão temporária do ex-gerente da Petrobrás Márcio de Almeida Ferreira em custódia preventiva nesta terça-feira, 8. Segundo o magistrado, estão presentes ‘os pressupostos da prisão preventiva, boa prova de materialidade e de autoria, e igualmente os fundamentos, risco à ordem pública e à aplicação da lei penal’.

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Márcio Ferreira foi preso na quinta-feira, 4, na Operação Asfixia, fase 40 da Lava Jato. Em 2016, o ex-gerente aderiu ao Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária. Segundo a Lava Jato 40, há indícios de que o executivo usou a lei ‘para fazer a regularização cambial de ativos no montante de aproximadamente R$ 48 milhões, que provavelmente têm origem nos crimes praticados em face da Petrobrás’.

Na mesma decisão, Moro mandou soltar outro ex-gerente da estatal Maurício Guedes de Oliveira, também capturado temporariamente na Lava Jato 40. O magistrado determinou quatro medidas cautelares a Maurício de Oliveira: proibição de deixar o Brasil, entrega do passaporte em três dias, comparecimento a todos os atos do processo e proibição de mudança de endereço sem autorização do Juízo.

Ao colocar Márcio Ferreira em preventiva, o magistrado afirmou ser ‘inviável’ a prisão por tempo indeterminado por medidas cautelares alternativas, ‘uma vez que os crimes foram praticados subrepticiamente, inclusive a lavagem, e não há como prevenir novos atos de lavagem e de dissipação de ativos com medidas cautelares alternativas, especialmente quando não houve ainda o sequestro dos valores no exterior’.

“Diante da reiteração delitiva de operações de lavagem e do risco de fuga e especialmente de dissipação dos ativos no exterior, impõe-se a prisão preventiva”, assinalou Moro.

Márcio trabalhou como gerente de empreendimentos da estatal com foco na prestação de serviços para Transpetro e Abastecimento. Ele teve vínculo com a Petrobrás entre 3 de junho de 1974 e 8 de março de 2013.

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