Moro dá mais quatro dias para defesa explicar anotações de Odebrecht

Moro dá mais quatro dias para defesa explicar anotações de Odebrecht

Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País, mencionou termos como "dissidentes PF" e "trabalhar para parar/anular" a investigação em seu celular

Redação

23 de julho de 2015 | 14h29

Marcelo Odebrecht, à esquerda, e Sérgio Moro. Fotos: Reuters e Agência Brasil

Marcelo Odebrecht, à esquerda, e Sérgio Moro. Fotos: Reuters e Agência Brasil

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Mateus Coutinho

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, concedeu mais quatro dias para a defesa do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, explicar as anotações que aparecem no celular do executivo. O prazo se encerrava nesta quinta-feira, 23.

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As anotações no aparelho do executivo levantaram suspeitas da Polícia Federal. Odebrecht mencionou termos como “dissidentes PF” e “trabalhar para parar/anular” a investigação.

“Defiro o requerido, estendendo o prazo para 27/07”, determinou Moro.

Na petição encaminhada à Justiça Federal, os advogados Dora Cavalcanti e Augusto de Arruda Botelho, que defendem Marcelo Odebrecht, alegam não tinham conhecimento das anotações que estavam arquivadas no aparelho pessoal do executivo. “O prazo assinalado, a toda evidência, não pode ser cumprido, na medida em que os esclarecimentos a serem prestados versam sobre anotações que estariam armazenadas em telefone do peticionário, e das quais a defesa jamais teve conhecimento – razão pela qual, por óbvio, delas não pode tratar sem no mínimo antes conversar com Marcelo”, afirmam os advogados.

Para a Polícia Federal, há indícios de que o empresário, preso desde 19 de junho, lançou mão de uma estratégia de confrontar as investigações da Lava Jato, buscando criar “obstáculos” e “cortinas de fumaça”, que contaria com “policiais federais dissidentes”, dupla postura perante a opinião pública, apoio estratégico de integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ataques às apurações internas da Petrobrás.

“O trecho mais perturbador é a referência à utilização de ‘dissidentes PF’ junto com o trecho ‘trabalhar para parar/anular’ a investigação”, alerta o juiz da Lava Jato no despacho em que intima a defesa do empreiteiro. Para Moro, “sem embargo do direito da defesa de questionar juridicamente a investigação ou a persecução penal, a menção a ‘dissidentes PF’ coloca uma sombra sobre o significado da anotação”.

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