Moro condena doleiro do Posto da Torre pela terceira vez

Moro condena doleiro do Posto da Torre pela terceira vez

Carlos Habib Chater, dono de posto de combustível em Brasília, pegou 10 anos e 11 meses de reclusão; outros três réus foram condenados

Luiz Vassallo

28 de setembro de 2018 | 18h35

PF faz buscas no Posto da Torre, em 2014

O juiz Sérgio Moro condenou, mais uma vez, um dos doleiros que deram origem às investigações da Operação Lava Jato, Carlos Habib Chater, agora a 10 anos e 11 meses de prisão por crimes contra o sistema financeiro. Esta é a terceira condenação do doleiro no âmbito das investigações que miram desvios na Petrobrás. Além de Chater, mais três réus foram condenados na mesma ação.

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Carlos Chater é o dono do famoso Posto da Torre, em Brasília, onde também funciona uma lavanderia e uma casa de câmbio. O local foi alvo da primeira fase, deflagrada em 2014, e serviu de inspiração para o nome da Operação Lava Jato.

A empresa e as contas, em nome do doleiro, foram usadas para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, segundo os investigadores. À época, foi descoberto também que Chater integrava o grupo de doleiros que faziam parte de esquemas de corrupção de políticos e agentes públicos até hoje investigado e alvo de denúncias da Lava Jato.

Nesta ação penal, Chater é acusado de comandar ‘o grupo criminoso dedicado à prática de crimes financeiros, especialmente evasão fraudulenta de divisas, lavagem de dinheiro e operações cambiais faudulentas, contando para tanto com várias empresas de fachada, constituídas e mantidas em nome de pessoas interpostas’.

Consta nos autos que o Posto da Torre era seu ‘centro de operações’. Junto dele, outras empresas e suas contas bancárias ‘teriam sido utilizadas para movimentação de milhões de reais para amparar transações de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas’.

A acusação, nesta ação penal, mira somente, o ‘crime de evasão de divisas, na descrição de algumas apenas’.

Ao condenar Chater, o juiz da Lava Jato considerou que ele tem ‘antecedentes negativos, embora não seja reincidente’. “As provas colacionadas neste mesmo feito indicam, porém, que faz da prática de operações financeiras ilegais e lavagem de dinheiro o seu meio de vida, o que deve ser valorado negativamente a título de personalidade”.

“As atividades financeiras ilegais prolongaram-se pelo menos entre 2007 a 2014 e envolveram a prática de operações financeiras com diversas pessoas envolvidas em atividades criminais, como Alberto Youssef e Fayed Traboulsi e agentes públicos”, anotou.

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