Moro bloqueia bens de executivo da Petrobrás por propinas em Pasadena

Moro bloqueia bens de executivo da Petrobrás por propinas em Pasadena

Demarco Epifânio, da área Internacional da estatal, teria recebido US$ 200 mil na compra da refinaria do Texas que provocou prejuízo de US$ 1 bilhão, em 2006

Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

24 de maio de 2016 | 13h13

Refinaria de Pasadena, no Texas. Foto: Richard Carson/Divulgação

Refinaria de Pasadena, no Texas. Foto: Richard Carson/Divulgação

O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, decretou o bloqueio de valores do executivo Demarco Jorge Epifânio, da área Internacional da Petrobrás, sob suspeita de ter recebido propinas na compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA) o – negócio que provocou prejuízo estimado em US$ 1 bilhão à estatal, em 2006.

A ordem judicial alcança ativos mantidos em contas e investimentos bancários de Epifânio, além de aplicações em ações, fundos de investimento, previdência privada.

A medida foi tomada no âmbito da Operação Vício, 30.ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, 24.

A Polícia Federal não localizou o executivo. A suspeita dos investigadores é que ele estaria fora do País.

Delatores da Lava Jato, como o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, revelaram que o executivo teria recebido pelo menos US$ 200 mil em propinas por Pasadena.

Os investigadores suspeitam que Epifânio teria recebido valores ilícitos também em outros polêmicos negócios da estatal petrolífera, a contratação dos navios sondas Vitória 10.000 e Petrobrás 10.000.

Agosthilde Mônaco, outro colaborador da Lava Jato, afirmou que o valor destinado a ao executivo da Internacional teria sido retirado do montante de US$ 1,8 milhão recebidos por ele ‘a título de propina referente à aquisição da Refinaria Pasadena, e entregues em espécie a Demarco’.

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“Agosthilde Mônaco relatou, ainda, um empréstimo que teria feito a Demarco, no valor de US$ 200 mil, para que ele efetuasse a compra de um apartamento para o seu filho no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro/RJ. Segundo Agosthilde, Demarco comprometeu-se a restituir o valor mediante transferência da sua conta corrente no exterior para a conta do colaborador, o que efetivamente teria ocorrido.”

“Posteriormente, o valor teria sido quitado por meio de uma transferência no exterior, a crédito na conta Akabas, controlada por Agosthilde, no valor de US$ 200 mil.”

Mônaco forneceu extratos nos quais foi possível localizar dois créditos no valor de US$ 200 mil na conta Akabas, de agosto de 2007.

Epifânio também foi citado por Eduardo Musa, ex-gerente de Internacional da Petrobrás.

“Pelo teor dos depoimentos prestados pelos colaboradores Fernando Soares, Eduardo Musa e Agosthilde Mônaco, Demarco Epifânio teria participado do grupo que recebia vantagem indevida decorrente dos contratos de fornecimento dos navios-sonda e possivelmente da aquisição da Refinaria de Pasadena”, destacou o juiz Moro no despacho que autorizou realização de buscas na residência do executivo.

TRECHO DESPACHO MORO DEMARCO PASADENA

 
Fernando Baiano confirmou o nome de Epifânio como sendo um dos executivos da Área Internacional beneficiados pelo recebimento de propina nos contratos de fornecimento dos navios-sonda.

“Que Demarco também tinha uma conta no exterior, pois certa vez o próprio Demarco passou uma conta para o depoente realizar um depósito, em uma reunião no escritório do Luís Moreira (ex-executivo da estatal); Que por isto acredita que a conta seja dele, mas não sabe se estava em nome dele ou de alguma pessoa de confiança; Que acredita que tal conta seja na Suíça.”

“Que houve uma ocasião em que Demarco Epifânio entregou diretamente ao declarante uma conta bancária para crédito da propina, e que em outra ocasião Eduardo Musa fez o mesmo.”

“Eduardo Musa, ao seu turno, também confirmou que Demarco Epifânio participava do grupo que recebia propina nos contratos de navios-sonda, porém, alegou desconhecer o meio pelo qual ele recebia a vantagem indevida.”

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