Moro amplia prazo da PF em inquérito de propinas na Eletronuclear

Juiz da Lava Jato diz que investigação sobre corrupção em obras de Angra 3 tem 'certa complexidade' e esticou em quinze dias o encerramento do caso

Redação

13 de agosto de 2015 | 18h05

Obras de Angra 3. Foto: Eletronuclear

Obras de Angra 3 são alvo de investigação. Foto: Eletronuclear

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, deu mais 15 dias para a Polícia Federal finalizar o inquérito envolvendo suposto pagamento de propina nas obras da Usina de Angra 3, ligada à Eletronuclear. O prazo se encerrava na terça-feira, 11, mas foi estendido até o dia 26 de agosto.

A decisão atende a PF que pediu a prorrogação de prazo alegando ‘acúmulo de trabalho e a imprescindibilidade de conclusão dos exames periciais e dos relatórios de análise’.

“Notório que o caso, integrante da assim denominada Operação Lava Jato, reveste-se de certa complexidade”, afirmou Moro na decisão. “Razoável, então, não ter havido tempo hábil para a análise de todo o material apreendido, conforme noticia a autoridade policial, sendo salutar a concessão do prazo adicional previsto em lei para a finalização da investigação. Apesar das provas já referidas na decisão em questão, apontando, em cognição sumária, provas de materialidade de crimes e indícios de autoria em relação ao investigado, afigura-se salutar conceder mais tempo à Polícia Federal para melhor análise do material apreendido.”

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O ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva é suspeito de ter recebido R$ 4,5 milhões em propina sobre contratos de Angra 3, de empreiteiras que participaram do negócio, entre elas a Andrade Gutierrez. O suborno no caso pode ter chegado a R$ 30 milhões.

O executivo Flávio David Barra, da Andrade Gutierrez Energia, também está sob suspeita de envolvimento no esquema de corrupção. Flávio Barra foi citado em delação premiada de Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa. De acordo com os investigadores, o delator afirmou que participou de reunião entre os vencedores da licitação de Angra 3 e que, na ocasião, teria sido solicitado a Flávio Barra uma ‘contribuição’ a determinados políticos.

Othon Luiz Pinheiro da Silva e Flávio Barra estão presos preventivamente em Curitiba, base da Lava Jato. O pedido de liminar no habeas corpus de Barra foi negado no domingo, 9.

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