Moro alega ‘gastos indesejáveis’ e dá a Lula chance de videoconferência

Moro alega ‘gastos indesejáveis’ e dá a Lula chance de videoconferência

Juiz da Lava Jato marcou para dia 13 de setembro novo interrogatório do ex-presidente, agora em ação penal por supostas propinas da Odebrecht, mas quer evitar despesas públicas com medidas de segurança

Julia Affonso e Fausto Macedo

20 de julho de 2017 | 12h42

Lula em 10 de maio quando foi interrogado pela primeira vez por Moro. Foto: Alex Silva/Estadão

Ao intimar o ex-presidente Lula para novo interrogatório na Operação Lava Jato, no dia 13 de setembro, o juiz federal Sérgio Moro abriu ao petista a possibilidade de audiência ocorrer por meio de videoconferência. Neste caso, Lula não precisaria se deslocar a Curitiba, onde fica o gabinete de Moro, e prestaria depoimento desde a Justiça Federal de São Paulo.

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Moro alegou ‘gastos indesejáveis de recursos públicos com medidas de segurança’. O juiz se referiu ao aparato extraordinário montado pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná e pela Polícia Federal em 10 de maio, quando ele e Lula ficaram pela primeira vez frente a frente – na ocasião, o petista foi interrogado como réu na ação penal do caso triplex e uma multidão invadiu a capital paranaense para apoiar o ex-presidente.

“Considerando o havido no interrogatório de Luiz Inácio Lula da Silva na ação penal, que acabou envolvendo gastos necessários, mas indesejáveis de recursos públicos com medidas de segurança, diga a Defesa respectiva, em cinco dias, se tem objeções à realização de novo interrogatório do acusado em questão por videoconferência com a Justiça Federal de São Paulo”, afirmou Moro.

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Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, Lula é acusado de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro em razão de contratos firmados entre a Petrobrás e a Odebrecht. A acusação aponta que parte das propinas pagas pela Odebrecht foi lavada mediante a aquisição, em benefício do ex-presidente, do imóvel localizado na Rua Dr. Haberbeck Brandão, nº 178, em São Paulo (SP), em setembro de 2010, que seria usado para a instalação do Instituto Lula.

A força-tarefa da Lava Jato afirma que o acerto do pagamento da propina destinada ao ex-presidente foi intermediado pelo então deputado federal Antonio Palocci, com o auxílio de seu assessor parlamentar Branislav Kontic, que mantinham contato direto com Marcelo Odebrecht, auxiliado por Paulo Melo, a respeito da instalação do espaço institucional pretendido pelo petista.

De acordo com os procuradores, destinadas a Glaucos da Costamarques por sua atuação na compra do terreno para o Instituto Lula foi repassada para o ex-presidente na forma da aquisição da cobertura contígua à sua residência em São Bernardo de Campo (SP). A denúncia aponta que R$ 504 mil foram usados para comprar o apartamento vizinho à cobertura de Lula.

A nova cobertura, que foi utilizada pelo ex-presidente, foi adquirida no nome de Glaucos da Costamarques, ‘que atuou como testa de ferro de Luiz Inácio Lula da Silva, em transação que também foi concebida por Roberto Teixeira, em nova operação de lavagem de dinheiro’. As investigações indicam ‘que nunca houve o pagamento do aluguel até pelo menos novembro de 2015’.

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