Moro abre ação contra um dos mentores da Lava Jato

Moro abre ação contra um dos mentores da Lava Jato

João Cláudio Genu, preso na Operação Repescagem, desdobramento da Lava Jato, teria recebido R$ 6 milhões em propinas mesmo enquanto era julgado no Supremo Tribunal Federal no processo do Mensalão

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Ricardo Brandt

28 de junho de 2016 | 15h34

João Cláudio Genu. Foto: Estadão

João Cláudio Genu. Foto: Estadão

O juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná, abriu nesta terça-feira, 28, ação penal contra um dos mentores do esquema de corrupção na Petrobrás, o ex-tesoureiro do PP e ex-assessor de José Janene (morto em 2010), João Claudio Genu.

A força-tarefa aponta que ele teria recebido cerca de R$ 6 milhões do esquema, mesmo enquanto era julgado pelo STF no mensalão.  Ele chegou a ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da AP 470, em 2012, mas nunca cumpriu a pena, pois a condenação para um de seus crimes prescreveu e ele acabou sendo absolvido de outro crime ao recorrer da sentença na Corte, mas agora virou réu na Lava Jato e vai responder pelos crimes de corrupção e formação de organização criminosa.

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Além dele, outros três denunciados, apontados como operadores de propina no esquema de corrupção, também se tornaram réus. O juiz, contudo, negou a denúncia contra a mulher de Genu, Cláudia Gontijo Genu que, segundo o MPF, teria gasto R$ 134 mil em joias com dinheiro em espécie. Para a força-tarefa, como os bens não foram declaradas à Receita e seus valores não são compatíveis com a renda do casal, o que configuraria lavagem de dinheiro da propina recebida por Genu.

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As investigações apontaram que Genu era um dos beneficiários e articuladores do esquema de desvio de recursos da estatal petrolífera, recebendo um percentual fixo da propina destinada ao PP. De acordo com os procuradores, o ex-assessor permaneceu associado de forma estável e permanente à organização criminosa que vitimou a Petrobrás pelo menos até a deflagração da Lava Jato em 17 de março de 2014.

Como provas, o Ministério Público Federal (MPF) apresentou planilhas de propina, depoimentos de diversos colaboradores, e-mails e conversas pelo aplicativo whatsapp que demonstram a ingerência de Genu nos negócios do grupo criminoso, dentre outras evidências. Além disso, a partir dos registros da portaria dos escritórios do doleiro Alberto Youssef, os investigadores identificaram diversas visitas de João Claudio Genu ao doleiro entre 2011 e 2014.

Segundo a denúncia, do valor total desviado entre meados de 2008 e 3 de julho de 2013, Genu recebeu diretamente R$ 4.393.195, € 125 mil (R$ 475.000 mil) e US$ 390 mil (R$ 1.365.000) por intermédio de remessas periódicas de dinheiro em espécie feitas por Youssef.

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