Moro abre ação contra Delúbio, Ronan, Valério e mais 6 por lavagem de dinheiro

Moro abre ação contra Delúbio, Ronan, Valério e mais 6 por lavagem de dinheiro

Em despacho de 7 páginas, juiz da Lava Jato acolheu pedido da Procuradoria e arquivou investigação contra ex-ministro José Dirceu, o pecuarista José Carlos Bumlai e os empresários Milton Schahin e Salim Schahim

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

12 de maio de 2016 | 13h49

Delúbio Soares é ex-tesoureiro do PT. Foto: André Dusek/Estadão

Delúbio Soares é ex-tesoureiro do PT. Foto: André Dusek/Estadão

Atualizada às 14h25

Em decisão de sete páginas, o juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o empresário Ronan Maria Pinto, de Santo André (SP), o operador do Mensalão Marcos Valério e mais seis investigados por lavagem de dinheiro. Todos foram alvo da Operação Carbono 14, desdobramento da Lava Jato, e agora são réus de Moro.

“Presentes indícios suficientes de autoria e materialidade, recebo a denúncia contra os acusados”, afirmou Moro.

Documento

No mesmo despacho, o juiz da Lava Jato acolheu pedido da Procuradoria da República e arquivou imputação de lavagem em relação ao ex-ministro José Dirceu, ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo ao ex-presidente Lula, e aos empresários Milton Schahin e Salim Schahim, ‘por terem mais de 70 anos, o que acarreta a redução pela metade do prazo prescricional e considerando a data do último fato delitivo, em 10/12/2004’.

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Na denúncia do Ministério Público Federal, são acusados de lavagem de R$ 6 milhões o empresário Ronan Maria Pinto e mais 8 investigados. Segundo a força-tarefa, Ronan Maria Pinto ‘está entre os beneficiários de empréstimo fraudulento feito junto ao Banco Schahin em favor do PT’.

O empresário de Santo André foi preso na Operação Carbono 14.

Para os investigadores, os R$ 6 milhões fazem parte de um total de R$ 12 milhões emprestados pelo Schahin ao pecuarista José Carlos Bumlai, em outubro de 2004. O próprio Bumlai afirmou à Polícia Federal que o dinheiro foi destinado ao PT. Na época, Delúbio Soares – condenado no Mensalão – era o tesoureiro do partido.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE RONAN MARIA PINTO

Nota à imprensa

Defesa de Ronan Maria Pinto

A denúncia imputa a Ronan Maria Pinto e a todos os outros oito acusados nesta fase da Operação Lava Jato a prática de crime de lavagem de dinheiro.

Todavia, mais uma vez ressaltamos: Ronan é o único acusado preso preventivamente pela acusação de um crime econômico. A defesa se manifestará nos autos pela veracidade do empréstimo que vem sendo questionado. Assim como pleiteará a revogação de sua prisão.

Atenciosamente,

Fernando José da Costa, advogado

São Paulo, 12 de maio de 2016

COM A PALAVRA, A DEFESA DE DELÚBIO SOARES

O advogado Pedro Paulo Guerra de Medeiros afirmou que a defesa vai aguardar a citação e apresentar a defesa à Justiça.

“Gostaríamos que ela (denúncia) não tivesse sido recebida. Sendo recebida, vamos promover a defesa no processo naturalmente. Por parte do Delúbio, não houve qualquer ato ilícito, como ele próprio declarou em seu depoimento.”