Mônica diz que mentiu sobre caixa 2 em 2010 para ‘preservar Dilma’

Mônica diz que mentiu sobre caixa 2 em 2010 para ‘preservar Dilma’

Marqueteira das campanhas presidenciais do PT foi interrogada pelo juiz Moro na ação penal em que é ré com o marido João Santana, o ex-ministro Antonio Palocci e o empreiteiro Marcelo Odebrecht

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

18 de abril de 2017 | 20h47

Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, que está presa em Curitiba, alvo da Lava Jato

Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, que está presa em Curitiba, alvo da Lava Jato

A marqueteira da campanha de Dilma Rousseff em 2010 Monica Moura confessou ao juiz Sérgio Moro nesta terça-feira, 18, ter recebido valores da Odebrecht em contas no exterior – dinheiro referente a caixa dois da campanha presidencial, segundo ela.

Questionada pelo juiz federal Sérgio Moro sobre o motivo que a levou a não confirmar a informação há um ano, em interrogatório, Monica alegou que ‘mentiu para preservar’ a petista que ainda exercia o cargo de presidente.
A marqueteira foi interrogada por Moro na ação penal em que ela é ré ao lado do marido, o publicitário João Santana, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Ela admitiu que naquele primeiro encontro com o juiz Moro omitiu o recebimento de caixa dois da Odebrecht com o uso de contas no exterior referente à campanha presidencial de 2010. Agiu assim, disse, para ‘preservar’ Dilma.
Monica confessou ter recebido pagamentos da empreiteira ‘dentro e fora do país’, relativos às campanhas de 2006, 2010, 2012 e 2014.

De acordo com a marqueteira das campanhas do PT, os valores eram combinados, até 2010, com Palocci. A partir de 2014, a tarefa passou a ser atribuída ao ex-ministro Guido Mantega. A operacionalização dos repasses, segundo Monica, era tratada com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, condenado na Lava Jato, e os repasses eram ‘sempre’ pagos pela Odebrecht.

“Depois que eu acertava o valor com o Palocci, em 2006, 2010 e 2012, ele dizia que a Odebrecht pagaria uma parte. A Odebrecht sempre queria pagar tudo no exterior. O Hilberto (Mascarenhas, executivo do ‘departamento de propinas’ da empreiteira) dizia que para eles era mais seguro (o pagamento no exterior), que não queriam no Brasil. Então, eu determinava com a Odebrecht que parte da campanha do Brasil iria para lá e parte aqui”, afirmou.

Ao fim do interrogatório, Moro alertou Monica que a versão dos fatos apresentada agora por ela sobre os pagamentos para as campanhas presidenciais era diferente daquela contada um ano atrás – à época, ela negava ter recebido os valores da Odebrecht no exterior.

Nesta terça, a marqueteira alegou a Moro que a ‘situação era diferente’.“Nessa época, há um ano e pouco, quando a gente foi preso, a gente queria preservar a presidente Dilma, que já estava num momento complicado. O País estava. Não queria dizer que tinha recebido dinheiro de campanha dela em 2010, não queria falar desses recebimentos. A gente falou que foi tudo no exterior, mas enfim, era outro momento, doutor, outra história”.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ ROBERTO BATOCHIO, DEFENSOR DE PALOCCI

“O interrogatório do ex-ministro Antonio Palocci está marcado para esta quinta-feira, 20 de abril, ocasião em que ele terá oportunidade de expor, detalhada e cumpridamente, todos os fatos abrangidos por esta ação penal que, não se deve esquecer, versa apenas sobre influência na licitação das 29 sondas e também pagamento de caixa 2 para o sr. João Santana e sua sócia e mulher, Mônica Moura.”

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