Monetização de APIs: sua empresa ainda vai utilizar esse modelo de negócio

Monetização de APIs: sua empresa ainda vai utilizar esse modelo de negócio

Diogo Lupinari*

07 de novembro de 2020 | 03h30

Diogo Lupinari. FOTO: DIVULGAÇÃO

Desde que a revista The Economist batizou os dados digitais como “novo petróleo” na sociedade, os empresários costumaram utilizar a expressão para evidenciar a importância das informações no ambiente corporativo. É uma comparação válida, mas hoje está claro que apenas ter esses dados não é suficiente para obter rentabilidade. Nesse sentido, outro recurso revela-se mais estratégico para o desenvolvimento de novos negócios: as APIs (interfaces de programação de aplicações). Essa tecnologia não só fundamenta os processos digitais, como ela própria se torna uma inesperada (e valiosa) fonte de renda para as empresas.

Esses recursos tornaram-se fundamentais em um cenário de intensa transformação – e aceleração – digital que o mundo vivencia atualmente. Se os dados são o novo petróleo, as interfaces são os oleodutos capazes de levar a matéria-prima digital de um ponto a outro, de uma empresa a outra, possibilitando o compartilhamento e o tráfego de informações que estimulam a inovação e o desenvolvimento de novos modelos de negócios. Não à toa, estimativa da consultoria MarketsandMarkets mostra que o mercado de soluções de gerenciamento de APIs vai pular de US$ 1,2 bilhão em 2018 para mais de US$ 5,1 bilhões em 2023, um crescimento médio anual de 32,9% no período.

O aumento ocorre porque a inovação tornou-se a expressão do momento e, por conta disso, as organizações precisam adotar recursos que otimizem seus processos diante das novas demandas que surgem continuamente. A principal função de uma interface de programa de aplicações é justamente agilizar isso por meio da integração dos mais diferentes sistemas utilizados no dia a dia. A questão é que, quando esse serviço é feito com excelência, abrem-se novas oportunidades para a companhia. As APIs desenvolvem um novo ecossistema digital capaz de extrair ao máximo o potencial que cada ferramenta oferece – além, é claro, de possibilitar mais insights para novos produtos e serviços.

Essa é a famosa “monetização” de APIs, mas engana-se quem pensa que se trata apenas de comercializar suas próprias interfaces a outras empresas e obter receitas a partir disso. Na verdade, é muito mais do que isso: é um reconhecimento da qualidade e da eficiência que a tecnologia pode proporcionar a toda a cadeia, entregando valor não apenas a seus clientes, mas ao consumidor final, e garantindo, assim, mais satisfação a todos os players envolvidos. Tais soluções devem ser encaradas como o meio para qualquer modelo de negócio que pretende ser inovador em seu segmento – e não como o fim em si mesmo.

Isso não significa, evidentemente, que todas as interfaces devem ser “monetizáveis”, isto é, transformadas em serviços para outras empresas. Aliás, é preciso compreender que nem todas elas têm essa capacidade. Primeiro, é preciso “fazer o dever de casa”, ou seja, estruturar a rotina e os processos da organização, permitindo que a API seja testada, experimentada e planejada corretamente antes de lidar com os dados “dos outros” (o que demanda cuidado redobrado devido à LGPD). Somente a partir daí é possível traçar a melhor estratégia de monetização, mas sempre levando em conta os objetivos e as ideias estipulados anteriormente.

As APIs já são um elemento essencial na sociedade. Diversos serviços disruptivos surgiram (e continuam surgindo) graças a elas. Se hoje é possível pedir um Uber, é graças à interface utilizada pela empresa para se conectar aos mapas do Google. Se o Open Banking surge com a promessa de democratizar o serviço financeiro, é pela possibilidade real de troca de informações entre as instituições financeiras existente atualmente. Não é o caso de dizer que as APIs dominarão o mundo, mas de reconhecer que, graças a essa solução, somos nós que poderemos mudar o mundo.

*Diogo Lupinari é CEO e cofundador da Wevo

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.