Modelo As a Service avança no Brasil e preenche lacuna de tecnologia e inovação

Modelo As a Service avança no Brasil e preenche lacuna de tecnologia e inovação

Francisco Carvalho*

17 de agosto de 2021 | 03h00

Francisco Carvalho. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

É fato que há um atraso no país quando o assunto é inovação e uso de ferramentas tecnológicas. Mas também é inegável que o As a Service — tipo de negócio que entrega as soluções e a infraestrutura necessárias para que as empresas ofereçam determinados serviços —, tem contribuído consideravelmente para a evolução das companhias brasileiras nesses quesitos. Isso porque elas podem usufruir de tecnologias já existentes no mercado, sem precisar construir toda uma estrutura robusta do zero – ou ter que comprar uma para poder utilizá-la.

Para facilitar a compreensão acerca desse modelo, vou usar o Google Docs como exemplo. Ele é um Software as a Service (SaaS), forma simples de computação na nuvem, que oferece ferramentas a seus usuários dentro de seu próprio navegador da web. O SalesForce também entra nessa categoria SaaS. Já o Uber é um exemplo as a Service — Car as a Service —, pois permite que pessoas sejam transportadas e outras trabalhem, mesmo sem ter nenhuma frota. Mas dentre as múltiplas variações do as a Service, ante o atual cenário no qual nos vemos hoje, me atenho a falar sobre o Banking as a Service (BaaS).

Como não tem como falar sobre BaaS sem falar do contexto dos bancos no Brasil, vamos a ele. Até janeiro deste ano, cerca de 16,3 milhões de pessoas não tinham conta em banco, segundo um estudo do Instituto Locomotiva. Um levantamento do Sindicato dos Bancários de São Paulo, que considerou o período de dezembro de 2014 até agora, revelou ainda que 44% dos mais de 5 mil e quinhentos municípios do país não têm agência bancária. Em contrapartida, de acordo com o relatório da Akamai Technologies, o número de brasileiros que usam bancos digitais saltou de 14% para 31% em 2021. O país conta com 742 fintechs, 34% a mais que em 2019, e esse mercado movimentou USS 2,4 bilhões só em 2020.

Mas o que isso significa – e o que tem a ver com Banking as a Service? Sem ampla cobertura de bancos tradicionais no país, com o fechamento de muitas unidades que acontece impulsionado pela pandemia, e com serviços bancários online tendo cada vez mais aderência junto à população – como o Pix, por exemplo -, o aumento no número de usuários de bancos digitais deve continuar ocorrendo exponencialmente.

Com isso, o Banking as a Service (BaaS) figura na lista das melhores opções para as empresas que querem se adaptar a esse movimento do mercado para abraçar essa demanda crescente. Ele possibilita que, de forma ágil e com um custo menor, nasça uma fintech. O BaaS mantém a marca do cliente, mas assume toda a parte burocrática, processos, análise e aprovação de crédito, além de interfaces e operações financeiras.

O Nubank, por exemplo, quando era apenas uma administradora de cartão de crédito – ao longo dos últimos quatro anos -, contou com essa solução As a Service para promover a formalização bancária de boa parte de suas operações de crédito voltadas ao público. E não só bancos digitais, mas qualquer empresa pode se tornar uma fintech. Daí a importância do BaaS personalizado.

A tecnologia não para de evoluir a passos largos. As empresas mais promissoras serão aquelas que se adaptarão às mudanças rapidamente, e atenderão às demandas do mercado de forma inovadora, eficiente e sustentável. O modelo As a Service, hoje, é a ferramenta que supre essas necessidades. E as vantagens de contar com ele não se restringem só às companhias. O conjunto de soluções leva ao aumento no número de fintechs e bancos digitais, e gera concorrência entre eles e bancos tradicionais, o que reflete positivamente nos consumidores finais que, com mais opções, saem ganhando ao escolher planos e taxas que se encaixem em seu perfil. O futuro tem tudo para ser o Modelo As a Service.

*Francisco Carvalho, CEO e fundador da techfin Zipdin, é economista e tem mais de 25 anos de experiência em diversos segmentos no mercado financeiro. Faz parte do Comitê de Direitos Creditórios da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e é membro da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD)

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