‘Governo passa a ser o principal agente de enfraquecimento da PF’, dizem delegados em protestos que pressionam Bolsonaro

‘Governo passa a ser o principal agente de enfraquecimento da PF’, dizem delegados em protestos que pressionam Bolsonaro

Entidades representativas da PF organizaram mobilizações em frente a diversas unidades da corporação em reação ao aumento de 5% acordado entre o chefe do Executivo e o ministro da Economia Paulo Guedes a título de reajuste para todo o funcionalismo

Pepita Ortega

28 de abril de 2022 | 11h16

Entidades que representam diferentes categorias dentro da Polícia Federal realizam nesta quinta-feira, 28, mobilizações em todo País visando pressionar o presidente Jair Bolsonaro quanto à promessa de reestruturação das carreiras policiais da União. Como mostrou o Estadão, os integrantes da corporação estão reagindo ao aumento de 5% acordado entre o chefe do Executivo e o ministro da Economia Paulo Guedes a título de reajuste para todo o funcionalismo.

A delegada Tania Prado, presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal – uma das entidades que participam das mobilizações desta quinta-feira – afirma que o governo Bolsonaro, ‘ao desvalorizar a instituição e os policiais federais’, passa a ser o ‘principal agente de enfraquecimento’ da corporação.

A chefe da Fenadepol argumenta que a PF ‘não pode ser instrumento de marketing eleitoreiro’ e destaca: “A Polícia Federal é o principal termômetro do combate à corrupção e à criminalidade no Brasil. E quando todos os parâmetros indicam que esse combate corre sérios riscos, a sociedade tem que fazer uma correção urgente de rota”.

A mobilização de integrantes da Polícia Federal ocorre em unidades da corporação em vários Estados, com faixas e manifestações de ordem pedindo a ‘valorização das forças de segurança federais’. As entidades estimam que mais de 200 pessoas participaram das mobilizações em frente à sede da corporação em Brasília.

O presidente da Associação dos Delegados de Polícia Federal, Luciano Leiro, destaca que participaram da manifestação na capital federal não só integrantes de todas categorias da PF, mas também representantes da Polícia Penal e da Polícia Rodoviária Federal, além de servidores administrativos das Polícias da União.

“Segurança pública foi base da campanha do presidente. Ele sempre se disse um defensor das forças de segurança. Mas nesses quatro anos nós só tivemos perdas. As forças policiais só tiveram perdas no governo Bolsonaro. Isso é algo que não coaduna com o objeto de campanha, com o que ele sempre propagou na campanha dele. As Forças Armadas realmente tiveram essa valorização, mas as forças policiais não tiveram essa valorização. Tivemos, sim, perdas”, registrou.

Mobilização da PF em frente à nova sede da corporação em Brasília. Foto: Divulgação

Segundo Leiro, o que causa ‘surpresa’ no ‘recuo’ do presidente com relação à reestruturação das carreiras prometida às polícias é o fato de que houve um ‘esforço’ para que houvesse a previsão, no Orçamento, de R$ 1,7 bilhão para o reajuste salarial de policiais em 2022.

“A cada dia que passa a pensão só aumenta. Não há, de fato, nenhuma manifestação do presidente da república de que não haverá a reestruturação. Todavia, também não há nenhuma manifestação no sentido que vamos ter a reestruturação independente do aumento linear de 5%. Nós não somos contra, obviamente, que as outras categorias busquem as suas as suas reivindicações. Nós queremos apenas que o compromisso seja cumprido. Que Presidente honre com a sua palavra. Que a palavra do presidente tenha mais valor do que a de um ministro da economia. Isso que estamos buscando. E a categoria está a cada dia mais tensa”, ponderou Leiro.

As entidades representativas da PF já haviam externado o descontentamento com o reajuste linear idealizado pelo governo Bolsonaro em reunião com o ministro da Justiça Anderson Torres. Às instituições, Torres afirmou que o ‘martelo não está batido’ com relação ao aumento a todo funcionalismo público.

As diferentes associações já aprovaram outras medidas em reação ao que chamam e ‘clara omissão’ do governo quanto à reestruturação de carreiras da corporação. Como mostrou o Estadão, a Associação dos Delegados da Polícia Federal aprovaram um indicativo de paralisação das atividade, o qual será ratificado em uma assembleia geral extraordinária prevista para o dia 2 de maio.

Veja as fotos da mobilização em Brasília

Mobilização de integrantes da PF em frente ao prédio da corporação em Brasília. Foto: Divulgação

Mobilização de integrantes da PF em frente ao prédio da corporação em Brasília. Foto: Divulgação

Mobilização de integrantes da PF em frente ao prédio da corporação em Brasília. Foto: Divulgação

Mobilização de integrantes da PF em frente ao prédio da corporação em Brasília. Foto: Divulgação

Mobilização de integrantes da PF em frente ao prédio da corporação em Brasília. Foto: Divulgação

Mobilização de integrantes da PF em frente ao prédio da corporação em Brasília. Foto: Divulgação

Mobilização de integrantes da PF em frente ao prédio da corporação em Brasília. Foto: Mariana Gomes/Fenapef

Mobilização de integrantes da PF em frente ao prédio da corporação em Brasília. Foto: Mariana Gomes/Fenapef

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