Ministro vê ‘indícios de relação ilícita’ de Aécio com J&F

Ministro vê ‘indícios de relação ilícita’ de Aécio com J&F

Ministro do Supremo autorizou buscas em endereços do senador tucano, alvo da Operação Ross que investiga propina de R$ 110 mi do grupo empresarial

Julia Affonso/SÃO PAULO e Teo Cury/BRASÍLIA

11 Dezembro 2018 | 11h55

Aécio Neves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ao autorizar buscas em endereços do senador Aécio Neves (PSDB-MG), sua irmã Andréa Neves e também contra o deputado Paulinho da Força (SD-SP), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, apontou ‘indícios de relação ilícita’ do tucano com executivos do Grupo J&F, entre 2014 e 2017. A Polícia Federal foi às ruas nesta terça, 11, para cumprir 24 mandados de busca e apreensão na Operação Ross, que mira propina de R$ 110 milhões supostamente paga pela J&F.

Documento

“O quadro revelado pela autoridade policial, na medida em que ratificado, em parte, pelo Órgão acusador, demonstra a existência de indícios de relação ilícita entre o investigado Aécio Neves da Cunha e executivos do Grupo J&F, entre os anos de 2014 a 2017, caracterizada pelo alegado recebimento de quantias em dinheiro, pelo senador ou em seu favor, mediante mecanismos característicos de lavagem de capitais, via empresas e pessoas identificadas na investigação em curso”, anotou o ministro.

“Há mais: ficaram demonstrados indicativos da atuação do parlamentar, nessa qualidade, como contrapartida aos benefícios financeiros.”

Também são alvo da investigação os deputados Cristiane Brasil (PTB-RJ) e Benito Gama (PTB-BA) e os senadores Agripino Maia (DEM-RN) e Antonio Anastasia (PSDB-MG).

A Operação Ross mira os crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Na decisão, Marco Aurélio determinou que a Polícia Federal cumprisse as ordens judiciais ‘simultaneamente e com máxima discrição’. As medidas estão sendo cumpridas no Distrito Federal e nos Estados de Minas, São Paulo, Rio, Bahia, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Tocantins, e Amapá.

“Autorizo o acesso, pela autoridade policial e pelo Ministério Público Federal, aos documentos e dados armazenados em computadores e equipamentos eletrônicos apreendidos”, determinou o ministro.

A operação vasculhou os endereços atrás de ‘documentos referentes a fatos, registros e livros contábeis formais ou informais, recibos, anotações, apontamentos, agendas, ordens de pagamento, contratos, documentos alusivos à manutenção e movimentação de contas bancárias no Brasil e no exterior, em nome próprio ou de terceiros’. A PF também foi autorizada a coletar ‘arquivos eletrônicos de qualquer espécie, bem assim as respectivas bases físicas, tais como mídias eletrônicas, HD’s, laptops, notebooks, pendrives, CD’s, DVD’s, smartphones, telefones móveis, agendas eletrônicas, havendo suspeita de conterem material relevante’.

Ross faz referência a um explorador britânico que dá nome à maior plataforma de gelo do mundo localizada na Antártida fazendo alusão às notas fiscais frias que estão sob investigação.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE AÉCIO NEVES

Nota da defesa do senador Aécio Neves

O Senador Aécio Neves sempre esteve à disposição para prestar esclarecimentos e apresentar todos os documentos que se fizessem necessários às investigações, bastando para isso o contato com seus advogados.

O inquérito policial baseia-se nas delações de executivos da JBS que tentam transformar as doações feitas a campanhas do PSDB, e devidamente registradas na justiça eleitoral, em algo ilícito para, convenientemente, tentar manter os generosos benefícios de seus acordos de colaboração. A correta e isenta investigação vai apontar a verdade é a legalidade das doações feitas.

Alberto Zacharias Toron
Advogado

COM A PALAVRA, PAULINHO DA FORÇA

A delação da JBS foi desmoralizada publicamente e a fraude realizada pelos delatores foi comprovada com a prisão dos dois empresários pelo Superior Tribunal Federal (STF). A acusação absurda de compra de apoio do partido Solidariedade para a candidatura à Presidência de Aécio Neves, em 2014, beira o ridículo.

Desde a sua criação, em 2013, o Solidariedade já apoiava o candidato Aécio Neves por acreditar em seus projetos para o país. De qualquer forma, o deputado federal Paulinho da Força se colocou à disposição da justiça para prestar quaisquer esclarecimentos, desde que lhe seja facultado acesso ao processo previamente.

COM A PALAVRA, JOSÉ AGRIPINO MAIA

O senador José Agripino não foi alvo de busca e apreensão em nenhum dos seus endereços.
Enquanto presidente nacional do Democratas, buscou, seguindo a legislação eleitoral vigente, doações para o partido.

Doações que, solicitadas a diversas empresas, foram voluntariamente feitas sem que o ato de doação gerasse qualquer tipo de compromisso entre o doador e o partido ou qualquer dos seus integrantes. O senador permanece à disposição da Justiça para os esclarecimentos que se fizerem necessários.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE ANTONIO ANASTASIA

O senador Antonio Anastasia desconhece totalmente o motivo pelo qual teve seu nome envolvido nessa história. Em toda sua trajetória, ele nunca tratou de qualquer assunto ilícito com ninguém.

Assessoria de Imprensa do Senador Antonio Anastasia

COM A PALAVRA, A DEFESA DE CRISTIANE BRASIL

Cristiane Brasil esclarece que à época dos fatos não era Deputada Federal, não conhecia os empresários do conglomerado J&F e seu papel nas eleições de 2014 foi exclusivamente o de ajudar a retirar o PTB da base de apoio do PT. A mesma somente recebeu doações oficiais e não tinha conhecimento nem acesso aos fatos a ela imputados.

As denúncias recebidas hoje pela deputada, com perplexidade, e a virulência das medidas propostas pelos investigadores só não foram adiante graças a serenidade da PGR e do STF, que negaram de pronto os pedidos de prisão e suspensão de mandato, dentre outros.

Cristiane Brasil está à disposição das autoridades e acredita na força da verdade e da justiça para provar a sua inocência.

Luiz Gustavo Pereira da Cunha, advogado.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE BENITO GAMA

Nota de esclarecimento do deputado federal Benito Gama

Há um fato sendo investigado sobre a eleição presidencial de Aécio Neves em 2014. Na condição de presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em exercício à época, fui convidado hoje (11), para prestar testemunho sobre este fato que tem relação com a empresa JBS e a candidatura do Aécio Neves.

Não houve contra a mim nenhuma medida de busca e apreensão ou qualquer outra medida, como divulgado pela imprensa. Assim como em toda a minha trajetória, continuo sempre à disposição da justiça em qualquer investigação. O mesmo faz parte do estado democrático.

Repudio em absoluto qualquer ato de corrupção e tentativa de ser relacionado ao objeto das investigações da Lava Jato.

Reitero a minha lisura e conduta pautada na honestidade, seriedade e responsabilidade ao longo destes mais de trinta anos dedicados à de vida pública em prol da Bahia e do Brasil.

Benito Gama
Deputado federal