Ministro nega liminar e mantém na cadeia prefeito do ‘mensalão’ de R$ 500 mil

Ministro nega liminar e mantém na cadeia prefeito do ‘mensalão’ de R$ 500 mil

Rogério Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça, rechaça argumentos do prefeito do município de Mauá, na Grande São Paulo, Átila Jacomussi (PSB), preso dia 13 na Operação Trato Feito, desdobramento da Prato Feito, por supostas propinas de um grupo de nove empresas

Redação

26 de dezembro de 2018 | 12h13

Átila Jacomussi. FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

O ministro do Superior Tribunal de Justiça Rogerio Schietti Cruz negou liminar em habeas corpus ao prefeito de Mauá, na Grande São Paulo, Atila Jacomussi (PSB), e manteve prisão preventiva decretada pelo Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3).

As informações estão no site do STJ – HC 485556

Átila é alvo maior da Operação Trato Feito – desdobramento da Prato Feito -, deflagrada pela Polícia Federal no dia 13. A investigação mostra que o prefeito seria o beneficiário de um mensalão de R$ 500 mil repassado por um grupo de nove empresas fornecedoras da administração municipal.

As propinas também seriam distribuídas a 22 dos 23 vereadores de Mauá, segundo a investigação. No dia da deflagração da Trato Feito, os agentes federais apreenderam com os suspeitos R$ 1,087 milhão em dinheiro vivo.

PF apreendeu R$ 1,087 milhão em dinheiro vivo em endereços de alvos da Operação Trato Feito. FOTO: PF

Átila foi preso, inicialmente, em maio, no âmbito da Operação Prato Feito, da Polícia Federal, que apura desvio de verbas públicas em contratos firmados com o município para fornecimento de merenda escolar. A defesa impetrou habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, obtendo liminar que facultou ao TRF-3 a fixação de medidas cautelares.

Foram impostas a Átila pagamento de fiança, proibição de sair do País e afastamento das funções de prefeito – esta última revogada por outra liminar do Supremo –, o que possibilitou ao suspeito retornar ao cargo, em 11 de setembro.

Em novembro, o TRF3 decretou nova prisão preventiva de Átila, agora no âmbito do desdobramento da Prato Feito, denominado Operação Trato Feito, por suposto descumprimento das medidas cautelares, que não teriam sido suficientes para impedir o prefeito de cometer novos crimes, a exemplo de licitação aparentemente fraudulenta realizada quando ele ainda estava afastado de suas funções no município.

Fundamentos. Ao indeferir o pedido de liminar em habeas da defesa do prefeito, o ministro Rogerio Schietti afastou a alegada incompetência da Justiça Federal, porque documentos juntados ao processo demonstram que há ao menos um contrato envolvendo verba federal.

Quanto à alegada falta de fundamentação para o atual decreto de prisão, o ministro não verificou o constrangimento ilegal apontado pelo prefeito, e destacou o trecho do mandado de prisão que aponta a concreta possibilidade de reiteração criminosa de Átila Jacomussi.

“Como se observa, a decisão impugnada apontou, ao menos em princípio, nova situação concreta que justifica a constrição cautelar, isto é, mesmo após a imposição de medidas cautelares, o paciente, pelo que se deduz do referido decisum, continuou a delinquir”, conclui Schietti.

Sobre o novo decreto ser uma afronta das decisões do STF que colocaram o investigado em liberdade anteriormente, o ministro observou que o habeas corpus ao STJ não é o instrumento processual adequado para suscitar tal hipótese.

Segundo o ministro, a eventual reclamação quanto a descumprimento de decisão da Corte Suprema deve ser endereçada àquele tribunal.

O mérito do habeas corpus será analisado pela Sexta Turma do STJ.

DEFESA

No habeas corpus ao STJ, Átila Jacomussi alega, preliminarmente, a incompetência da Justiça Federal para processamento e julgamento da ação.

Sua defesa afirma ‘não haver prova de que os valores supostamente desviados teriam origem federal’.

A defesa do prefeito preso sustenta, ainda, que o novo decreto de prisão preventiva ‘não se justifica, uma vez que seus fundamentos são idênticos aos que foram rechaçados pelo STF’.

O prefeito também nega ter havido descumprimento das medidas cautelares.