Ministro Jucá, presidente do Senado e ex-ministro de Minas e Energia são apontados por propina em Angra 3

Ministro Jucá, presidente do Senado e ex-ministro de Minas e Energia são apontados por propina em Angra 3

No Supremo Tribunal Federal, políticos do PMDB já são alvos de investigações por suspeita de acerto de R$ 30 milhões em propinas ao PMDB, em forma de doações eleitorais em 2014; Romero Jucá, Renan Calheiros e Edison Lobão teria pedido dinheiro a empreiteiras do cartel alvo da Lava Jato por contrato de Consórcio Angramon

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

22 de maio de 2016 | 06h05

jucá

A suspeita de corrupção nos bilionários contratos de obras da Usina Termonuclear Angra 3 resultaram na abertura de investigações criminais contra pelo menos três membros da cúpula do PMDB, entre eles o ministro do Planejamento, Romero Jucá. Eles teriam participado do acerto de R$ 30 milhões em propinas ao PMDB, em 2014, em troca de um contrato de R$ 3 bilhões assinado pelo Consórcio Agramon.

As investigações foram abertas no Supremo Tribunal Federal (STF), após o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, afirmar em delação premiada que o ex-ministro de Minas e Energia e atual senador Edison Lobão (PMDB-MA) pediu uma “contribuição” para o PMDB de R$ 30 milhões.

TEORI DESMEMBRA INQUERITO LOBÃO RENAN E JUCA 2

O valor era referente ao pacote fechado pelo Consórcio Angramon, que reunia dois outros consórcios finais da disputa (Angra 3 e Una 3) formado em maioria por empreiteiras do cartel descoberto na Petrobrás, como a Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e UTC. O pacote envolvia um contrato de R4 3,1 bilhão. Ao todo, a obra de Angra 3 está orçada em R$ 14 bilhões.

“Esteve com Edison Lobão, por orientação do então presidente da Eletronuclear” Othon Luiz Pinheiro da Silva. “Foi no segundo encontro com Edison Lobão que solicitou pagamento de R$ 30 milhões aproximadamente que correspondia a 1% do valor contratual”, afirma Pessoa.

OUTRAS EMPRESAS CONSORCIO ANGRAMON

Como não havia sido assinado o contrato, Pessoa diz que avisou o ex-ministro, que pediu um adiantamento. “Lobão pediu R$ 1 milhão como adiantamento, uma vez que o PMDB deveria ser beneficiado em razão do contrato de Angra.”

Lobão foi alvo de buscas, dentro dessas investigações. No pedido enviado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), ele afirma as apurações envolvendo Lobão, Renan e Jucá são apenas o ponto de partida para se chegar a outros beneficiários dentro do PMDB.

Desse inquérito aberto no ano passado tendo como alvo Lobão e quatro temas, a Polícia Federal pediu no mês passado que a peça fosse dividida em investigações específicas para cada um dos investigados – o que inclui o ministro do Tribunal de Contas da União Raimundo Carreiro Silva e Tiago Cedraz, filho do também ministro do TCU Aroldo Cedraz.

TEORI DESMEMBRA INQUERITO LOBÃO RENAN E JUCA

Dessa propina teria se beneficiado também Renan Calheiros, que após os acertos com Lobão solicitou a Pessoa R$ 1,5 milhão para a campanha de governador de Alagoas do filho Renan Calheiros Filho (PMDB), afirma o
delator. Os valores foram repassados em doações eleitorais legais.

“O senador Romero Jucá teria solicitado a Ricardo Pessoa, após acerto deste com Renan Calheiros, o montante de R$ 1,5 milhão para financiar a campanha política de seu filho, Rodrigo Jucá, ao cargo de vice-governador do Estado de Roraima.”, registra a Procuradoria Geral da República.

TEORI DESMEMBRA INQUERITO LOBÃO RENAN E JUCA 2

TEORI DESMEMBRA INQUERITO LOBÃO RENAN E JUCA 3

“Os valores que teriam sido pagos por meio de doação oficial da UTC ao Diretório Estadual do PMDB de Roraima, em três parcelas de R$ 500 mil. Tais fatos podem consubstanciar os delitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.”

Outros delatores, como o executivo da Andrade Gutierrez Fávio Barra confirmou em depoimento à Justiça Federal no Rio ter havido propina de 1% na obra de Angra 3. Outro executivo que apontou o esquema foi Dalton Avancini, da Camargo Corrêa.

A Procuradoria já dispõem do levantamento de doações eleitorais feitas pelas empresas contratadas, bem como levantamentos de registros em hotéis do ministro do Planejamento e dos senadores do PMDB, bem como reservas em restaurantes.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS

O ministro do Planejamento, Romero Jucá, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, que está “tranquilo em relação a qualquer investigação”. Ele é alvo de novo pedido de apuração nas obras de Belo Monte.

“Estamos numa democracia e qualquer servidor pode ser investigado”, disse Jucá. “Não há demérito em ser investigado, há demérito em ser condenado. Não tenho nenhuma relação com as questões que estão colocadas.” Ele disse apoiar a Lava Jato, que “mudou o paradigma” das relações entre empresários e a política.

O senador Edison Lobão nega envolvimento em ilícitos e diz que as doações- recebidas por suas campanhas são legais, sem qualquer vínculo com ilícitos.

Renan Calheiros também nega relação com propinas. Afirma que todas as doações recebidas são legais.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava Jato