Ministro do TCU depõe como testemunha de ex-senador preso na Lava Jato

Ministro do TCU depõe como testemunha de ex-senador preso na Lava Jato

Vital do Rêgo afirma que Gim Argello, alvo da Operação Vitória de Pirro, não tentou interferir nos trabalhos das CPIs da Petrobrás

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo

22 de agosto de 2016 | 05h00

Vital do Rêgo. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Vital do Rêgo. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Em seu depoimento como testemunha do ex-senador Gim Argello (PTB-DF) o ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo negou qualquer tipo de tentativa do ex-parlamentar de interferir nos trabalhos das CPIs da Petrobrás no Congresso e no Senado, em 2014, para proteger empreiteiros investigados na Lava Jato.

Vital do Rêgo era senador pelo PMDB naquele ano e presidiu as duas comissões até o final novembro devido a sua indicação ao Tribunal de Contas da União, aprovada pelo Congresso. Seu depoimento ao juiz da Lava Jato foi tomado por videoconferência no dia 29 de julho e durou pouco mais de 15 minutos na ação que tem Argello, seu filho e outros sete acusados de arquiterar um esquema que, segundo a Lava Jato, teria evitado a convocação de empreiteiros nas CPIs da Petrobrás.

Naquele ano, as duas comissões encerraram os trabalhos sem convocar nenhum executivo das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

De forma sucinta, ele negou todos os questionamentos da defesa de Argello sobre se houve qualquer interferência ilegal, pedido para não convocar empresários ou mesmo troca de favor. “Não, absolutamente”, afirmava o ministro sempre que indagado.

Questionado sobre a índole do ex-senador, preso desde abril na Lava Jato acusado de receber propinas para evitar a convocação de empreiteiros na duas CPIs, Vital do Rêgo elogiou o ex-colega de Senado.” Tinha sempre com todos um tratamento muito cordial”, disse.

Nesta investigação, a Lava Jato, com base nas delações de vários empreiteiros, revelou que o ex-senador teria cobrado R$ 5 milhões de sete empreiteiras que atuaram no cartel na Petrobrás.

Ao menos a OAS e a UTC, segundo a investigação, acertaram os pagamentos, sendo que parte da quantia foi repassada via doações oficiais para os partidos da coligação de Argello nas eleições de 2014 – formada por DEM, PR, PMN , PRTB e PTB. O Ministério Público Federal não acusa nenhum dos partidos da coligação de irregularidades pois, segundo os investigadores, não há provas de que eles tinham conhecimento de que o pagamento era decorrente dos crimes de Argello.

Parte da propina teria sido entregue ainda em dinheiro vivo para Argello, incluindo uma parcela em euros e outra parte ainda teria sido destinada como doação de R$ 350 mil para uma paróquia de Brasília.

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: