Ministro barra ação contra senador acusado de crime contra a honra

Ministro barra ação contra senador acusado de crime contra a honra

Celso de Mello, decano do Supremo, julga extinta queixa-crime contra Hélio José (PMDB/DF), acusado de ofender servidora pública federal em reunião na Superintendência de Patrimônio da União

Fausto Macedo e Julia Affonso

05 de abril de 2017 | 04h35

O decano do STF, ministro Celso de Mello. Foto: André Dusek/Estadão

O decano do STF, ministro Celso de Mello. Foto: André Dusek/Estadão

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, julgou extinta queixa-crime – PET 6333 – por meio da qual uma servidora pública federal acusava o senador Hélio José (PMDB/DF) pela suposta prática de crimes contra a honra. Os fatos, de acordo com os autos, teriam ocorrido durante reunião realizada na Superintendência de Patrimônio da União (SPU) do Distrito Federal, com a participação do parlamentar.

As informações foram divulgadas no site do Supremo.

De acordo com a servidora, durante cerimônia de posse do superintendente da SPU, em agosto de 2016, o senador teria feito ‘menções desonrosas e desabonadoras sobre sua conduta moral, pessoal e profissional, afirmando que ela estaria se beneficiando de sua função para auferir vantagem indevida’.

Ao imputar à servidora ato tido como crime, previsto na legislação penal, o senador teria incorrido na prática do delito previsto no artigo 138 do Código Penal.

Em sua decisão, o ministro Celso de Mello acolheu parecer da Procuradoria- Geral da República, que se manifestou no sentido de que se aplica, ao caso, a garantia constitucional da imunidade parlamentar em sentido material. A PGR salientou que a manifestação do membro do Congresso Nacional questionada no processo foi veiculada em razão do exercício do mandato parlamentar, em reunião realizada em órgão da administração pública federal. Nessas situações, lembrou o decano, ‘atua em favor do congressista a prerrogativa da imunidade parlamentar, que descaracteriza a própria tipicidade penal dos crimes contra a honra’.

Além disso, o ministro lembrou que a inviolabilidade parlamentar, prevista no artigo 53, caput, da Constituição Federal, não sofre condicionamentos normativos que a subordinem a critérios de espacialidade, até porque o exercício da atividade parlamentar não se exaure no âmbito especial do Congresso Nacional.

“É irrelevante, por isso mesmo, para efeito de legítima invocação da imunidade parlamentar material, que o ato por ela amparado tenha ocorrido, ou não, na sede, ou em instalações, ou perante órgãos do Congresso Nacional”, assinalou Celso de Mello.

Ao decidir pela extinção do processo e determinar o arquivamento dos autos, o decano do STF ressaltou que ‘a cláusula da inviolabilidade parlamentar qualifica-se como causa de exclusão constitucional da tipicidade penal da conduta do congressista em tema de delitos contra a honra, afastando, por isso mesmo, a própria natureza delituosa do comportamento em que tenha incidido’.

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