Ministro afastado se cala na PF

Ministro afastado se cala na PF

Helton Yomura, suspenso das funções no Ministério do Trabalho por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo, não respondeu aos questionamentos no âmbito do inquérito da Operação Registro Espúrio

Dida Sampaio / BRASÍLIA

05 Julho 2018 | 13h27

Helton Yomura na PF em Brasília. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O ministro do Trabalho Helton Yomura, afastado do cargo nesta quinta-feira, 5, ficou por cerca de 50 minutos da sede da Superintendência da Polícia Federal em Brasília e se manteve calado. Alvo da Operação Registro Espúrio – cuja terceira fase foi deflagrada nesta quinta – Yomura não respondeu aos questionamentos da PF. O ministro estava acompanhado de advogado.

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Yomura teve o afastamento determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, a pedido da PF e da Procuradoria-Geral da República. Ele está proibido de frequentar o Ministério e manter contato com outros investigados da Registro Espúrio.

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O ministro afastado é apadrinhado político do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e de sua filha, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) – ambos foram alvo das primeiras fases da Registro Espúrio.

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Segundo a PF, a terceira fase da operação, deflagrada nesta quinta, tem como objetivo ‘aprofundar as investigações a respeito de organização criminosa que atua na concessão fraudulenta de registros sindicais junto ao Ministério do Trabalho’.

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Na ação desta quinta, estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e 3 de prisão temporária em Brasília e no Rio.

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O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) também é alvo da investigação e teve o seu gabinete na Câmara Federal vistoriado pela PF nesta manhã.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE HELTON YOMURA

O ministro do Trabalho, Helton Yomura, adotou rigorosas providências institucionais para a garantia do interesse público, podendo se destacar: exoneração imediata de todos os servidores sob investigação, abertura de sindicância e processos administrativos para averiguação dos fatos e suspensão de todos os atos que pudessem provocar repercussões no âmbito da investigação.

Quanto à suspensão de suas funções no Ministério do Trabalho, todas as medidas jurídicas serão tomadas para possibilitar à turma do STF se manifestar sobre tal importante tema. Neste sentido, foi em razão do entendimento do próprio ministro Edson Fachin que foram encaminhados para o plenário do Supremo casos de grande repercussão.

Tendo a certeza de não ter cometido nenhum ato ilícito e que suas ações correspondem a uma política de valorização dos trabalhadores e das instituições, o ministro Helton Yomura, mesmo não sabendo de que atos está sendo acusado, nega veementemente qualquer imputação de crime ou irregularidade.

César Caputo Guimarães, criminalista do núcleo de Direito Penal do Nelson Wilians e Advogados, e André Hespanhol, advogado criminalista

COM A PALAVRA, O PALÁCIO DO PLANALTO

Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que não vai se manifestar.

COM A PALAVRA, NELSON MARQUEZELLI

O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) disse ao Broadcast Político que não tem “atuação nenhuma” no Ministério do Trabalho. “Não tenho trabalho com o Ministério do Trabalho. Minha atuação é no Ministério da Agricultura, da Saúde, do Esporte e do Turismo. São os que eu trabalho. No (Ministério do) Trabalho não tenho atuação nenhuma. Não indiquei ninguém lá, não ajudei ninguém”, disse.

“O PTB tem o Ministério do Trabalho. O ministro é afastado, eu sou o vice-líder do partido. Me informaram que todos os deputados do PTB teriam o gabinete vistoriado. Já fizeram (a vistoria) em vários e não iam pular o meu. Tem que fazer no meu também. Sempre chego aqui às seis horas da manhã. Eu cheguei e eles já estavam com minha chefe de gabinete fazendo a vistoria. Ofereci tudo o que eles precisam e é bom que faça (vistoria). Tem que fazer (no gabinete de) todo mundo”, afirmou o parlamentar.

COM A PALAVRA, O PTB

NOTA À IMPRENSA

O Partido Trabalhista Brasileiro vem a público mais uma vez para reafirmar seu apoio às investigações da Operação Registro Espúrio no âmbito do Ministério do Trabalho.

Como já foi dito, se houve irregularidade na Pasta caberá aos responsáveis responder à Justiça por seus atos.

Não concordamos, todavia, com inferências divulgadas antes que as investigações estejam concluídas. Pessoalmente, insisto: não participei de qualquer esquema espúrio no Ministério do Trabalho. E acrescento que minha colaboração restringiu-se a apoio político ao governo para que o PTB comandasse a Pasta.

Comunico ainda que a Executiva Nacional do PTB coloca o Ministério do Trabalho à disposição do governo Michel Temer.

Brasília, 5 de julho de 2018

Roberto Jefferson
Presidente Nacional do PTB