Ministério pede acesso a provas da Carne Fraca para investigar servidores

Ministério pede acesso a provas da Carne Fraca para investigar servidores

Secretário-executivo do Mapa, Luciano Inácio da Silva encaminhou nesta terça-feira, 28, solicitação ao juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal em Curitiba

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Luiz Vassallo

29 Março 2017 | 15h24

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) solicitou ao juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal no Paraná que conduz as investigações da Operação Carne Fraca, o compartilhamento das provas obtidas pela investigação da PF. O Mapa quer utilizar as informações da investigação nos procedimentos administrativos da pasta para punir os servidores públicos envolvidos no esquema de corrupção revelado pela Operação.

O pedido foi encaminhado ontem ao juiz pelo corregedor do Mapa Luciano Inácio da Silva. Com a deflagração da Carne Fraca, em 17 de março, 33 servidores da pasta foram exonerados e, no mesmo dia, foi instaurada pelo Ministério uma Comissão de Processo Administrativo Disciplinar para apurar eventuais irregularidades cometidas por servidores do órgão.

A operação revelou um esquema de corrupção nas superintendências regionais do Mapa nos Estados de Minas Gerais, Goiás e Paraná que envolvia fiscais federais e empresários dos maiores frigoríficos do País. O esquema seria liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. Segundo a PF, os agentes públicos investigados “atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público”.

Ao todo, foram cumpridos 27 mandados de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao esquema.

Todos os detidos temporariamente já foram soltos e, nesta terça-feira, o juiz Josegrei mandou soltar o executivo André Luiz Baldissera, que estava preso preventivamente, com a condição de pagamento de R$ 300 mil de fiança.

Ainda segundo a PF, parte das propinas no esquema seria utilizada para abastecer o PMDB e o PP. Além da investigação no Paraná, a Procuradoria-Geral da República acompanha os desdobramentos do caso perante o STF.

Notícias relacionadas