Ministério do Trabalho demite assessor preso pela PF

Ministério do Trabalho demite assessor preso pela PF

A Pasta informou em nota que abriu contra Fábio Battistello um processo administrativo disciplinar

Fausto Macedo e Julia Affonso

23 Novembro 2015 | 18h39

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

O Ministério do Trabalho e Previdência Social demitiu nesta segunda-feira, 23, o assessor parlamentar Fábio Battistello, preso pela Polícia Federal em Caxias do Sul (RS), por suspeita de corrupção passiva. A Pasta informou em nota que abriu contra Battistello um processo administrativo disciplinar.

“Estas ações foram tomadas a partir da realização de operação da Polícia Federal que, acionada pela Gerência Regional do MTPS em Caxias do Sul (RS), prendeu o servidor em flagrante delito, na manhã desta segunda-feira, 23, em Caxias do Sul. A publicação da exoneração acontecerá na edição de terça-feira, 24, do Diário Oficial da União”, informou o Ministério.

Fábio Batistello foi detido após receber um cheque no valor de R$ 7 mil. Segundo a PF, o repasse seria para facilitar a emissão de uma carta sindical. A ação foi feita com a Gerência Regional da Pasta.

“A prisão ocorreu no momento em que o Assessor solicitava e recebia vantagem indevida para liberar procedimento de registro do Sindicato dos Promotores de vendas de Caxias do Sul e região junto ao Ministério do Trabalho e Emprego”, informou a PF em nota.

De acordo com a PF, o assessor atuava em Brasília. A representante de um sindicato ligado ao comércio denunciou Fábio Batistello. Segundo ela, o assessor vinha pedindo R$ 10 mil desde setembro para resolver problemas na documentação.

A PF informou que na sexta-feira, 20, ele teria dito à representante que era “a última chance” para resolver a demanda. Eles marcaram um encontro na manhã desta segunda, na sede do Sindicato.

A representante da entidade procurou a gerência do Ministério do Trabalho e Emprego em Caxias do Sul. Preso em flagrante, ele afirmou que apenas oferece “serviços de consultoria”.

O assessora, afirmou a Polícia Federal, responderá por corrupção passiva, cuja pena é de reclusão, de 2 a 12 anos, e multa.

 

COM A PALAVRA, A DEFESA DE FÁBIO BATTISTELLO

O advogado Agostinho Iarito Sato declarou que seu cliente, Fábio Battistello, não cometeu crime de corrupção passiva. Segundo o advogado, o assessor do Ministério do Trabalho – exonerado na tarde desta segunda-feira – não exigiu dinheiro da representante do sindicato que o denunciou, apenas prestou uma consultoria. Agostinho Iarito Sato já ingressou na Justiça Federal em Caxias do Sul com pedido de relaxamento do flagrante e liberdade provisória para Fábio Battistello.

“Na verdade, o caso ainda está na fase de inquérito policial. A Justiça é que vai determinar o que realmente aconteceu. Meu cliente alegou em depoimento à Polícia Federal que simplesmente prestou uma assessoria para fins de encaminhar a documentação para criação de um sindicato”, informou o advogado Agostinho Sato. “Ele (Fábio Battistelo não cometeu qualquer tipo de ilegalidade. é nesse sentido que se baseia a defesa do meu cliente.”

Segundo a defesa, Fábio Battistello informou que ‘estavam criando dificuldades para encaminhar a documentação para criação do sindicato’. “Ela (a representante do sindicato) entrou em contato com meu cliente que apenas prestou uma consultoria, de que forma a demanda dveria ser encaminhada. Ele (Fábio) não cometeu nenhum delito.”