Ministério da Justiça e Segurança Pública reúne pesquisadores para discutir redução de oferta de drogas

Ministério da Justiça e Segurança Pública reúne pesquisadores para discutir redução de oferta de drogas

Redação

11 de dezembro de 2020 | 16h10

O prédio do Ministério da Justiça Foto: Divulgação

Um grupo de oito pesquisadores voluntários apresentaram nesta quinta, 10, em reunião promovida pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, trabalhos sobre redução da oferta de drogas, principalmente nos campos da Química e Toxicologia Forense, Gestão de Ativos, Economia das Drogas e Estatísticas sobre drogas. Eles integram o Serviço Voluntário de Pesquisa, que tem o objetivo de incentivar a participação cidadã no ciclo das políticas públicas voltadas à redução da oferta de drogas ilícitas, mediante pesquisa e compartilhamento de conhecimentos, artigos e outros produtos acadêmicos.

Segundo a pasta, os estudos vão subsidiar a tomada de decisão e a elaboração de planos, programas e projetos de repressão ao narcotráfico e a crimes conexos.

“É muito importante a participação desses profissionais e pesquisadores nessa troca de experiências e conhecimento, por meio de estudos acadêmicos, para adquirimos subsídios para a elaboração de políticas públicas no Brasil”, destacou o Secretário Nacional de Políticas sobre Drogas, Luiz Roberto Beggiora.

Segundo o coordenador-geral de pesquisa e formação da SENAD, Carlos Timo Brito, o SVP é um mecanismo permite que a pasta identifique conteúdos que têm sido estudados por pesquisadores e profissionais brasileiros nas áreas da Química, de Farmácia, de Direito, de Economia, dentre outras, no âmbito da repressão ao narcotráfico e crimes conexos. “Nós identificamos, também, que os estudantes de universidades localizadas em regiões de fronteira têm muito interesse em temáticas voltadas para redução de oferta de drogas”, explica.

O diretor de Políticas Públicas e Articulação Institucional da Senad, Gustavo Camilo Baptista, frisa que os estudos serão um grande apoio na identificação dos impactos das drogas no país e nas diretrizes necessárias para o emprego em políticas cada vez mais efetivas.

Para o pesquisador José Luiz da Costa, professor de toxicologia da faculdade de ciências farmacêuticas da Universidade de Campinas (Unicamp), ‘a rede viabilizada pelo SVP, além de ampliar os conhecimentos, complementam-se umas às outras’. A pesquisa gera dados epidemiológicos sobre o consumo de novas substâncias psicoativas por meio da análise de fluidos orais em grandes festas e festivais.
“Temos constatado que, muitas vezes, a pessoa acha que usou uma droga, quando na realidade consumiu outra substância desconhecida, oferecendo um risco ainda maior para a saúde. Então, a pesquisa expõe que o usuário não sabe a constituição química da droga que ele utiliza e que esse poliúso de drogas pode trazer danos ainda maiores para a saúde pública”, destacou.

A estudante de toxicologia analítica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Giovanna Gouveia, apresentou sua pesquisa sobre o mapeamento e a caracterização do perfil de intoxicações por abuso de drogas, atendidas pelo Centro de Informações Toxicológicas do RS, nos últimos 10 anos. “Identifiquei que, em sua maioria, se tratam de homens de até 19 anos, intoxicados pelo uso de cocaína na capital do estado e na região metropolitana. Entretanto, diferentemente do que a literatura apresentava até anos anteriores, o número de mulheres tem aumentado”.

Também foram apresentados estudos sobre apreensão de drogas, gestão de ativos oriundos do narcotráfico, intoxicações e propostas de organização de bancos de dados. Segundo a perita criminal federal Mônica Paulo, o programa é uma importante fonte de informações para direcionar as políticas tanto de segurança pública quanto de saúde pública.

Integram o Serviço Voluntário de Pesquisa da Senad os pesquisadores: Mônica Paulo de Souza, a perita criminal federal; George Felipe de Lima Dantas, o professor-doutor e consultor internacional; e Fernando Merege, professor-doutor. Eles são tutores dos 11 pesquisadores oriundos das instituições: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Uniasselvi, Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina (IGP), Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e Universidade de Brasília (UnB).

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