Mindfulness e inteligência emocional para executivos

Mindfulness e inteligência emocional para executivos

Ligia Costa*

30 de dezembro de 2020 | 04h00

Ligia Costa. FOTO: DIVULGAÇÃO

Neurociência, inteligência emocional e mindfulness. Essas três palavras mágicas me levaram a Nova York em busca de conhecimento. Teorias, ferramentas e ensinamentos que comprovam cada vez mais que a busca pela felicidade está dentro de você. Pronto, contei o final da história. Mas não é tão simples assim, por isso, vou dividir um pouco sobre os novos aprendizados para aqueles que desejam uma vida e um trabalho com mais propósito.

A vontade de aprender coisas novas

Curiosidade. É o fator que me motiva a visitar diferentes países, estudar e aprender. Tenho muita curiosidade pelo conhecimento, por culturas, por diversidade, pelo novo. Enfim: pelo ser humano. Quanto mais descubro e conheço, mais vejo o quanto ainda existe para aprender.

Só sei que nada sei. E o fato de saber isso só me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.

Sócrates

Foi essa curiosidade e busca por conhecimento que me levou ao Butão no início de 2017, em uma imersão sobre felicidade. Lá descobri que grande parte do que faz as pessoas resgatarem seu poder pessoal, serem mais conscientes e viverem no momento presente são as práticas de mindfulness, uma ferramenta poderosíssima.

Talvez seja fácil no Butão pedir para que as pessoas vivam integradas à natureza, contemplem o silêncio e pratiquem a presença. O conhecimento e a cultura mindful já estão no DNA da população. Estamos falando de um país que é quase totalmente budista e 70% da sua área é floresta. Ou seja, existe um ambiente propício para cultivar o bem-estar.

Agora como em um mundo volátil, complexo, incerto, com executivos workaholics, mães alucinadas, adolescentes sob pressão, podemos pensar em encontrar algum tempo para nós mesmos? Ou experimentarmos práticas que nos trarão mais satisfação ou até mesmo mais conhecimento?

Alguns fatos curiosos sobre mindfulness

Temos a percepção de mente cheia, mas a verdade é que 47% do tempo nossa mente está vagando. E acreditamos que somos produtivos no trabalho, porém 70% dos líderes reportam com regularidade não conseguirem manter-se atentos em reuniões, segundo o Mindful Leadership Institute.

Em 2017, tive o enorme prazer de me juntar a pessoas de diferentes lugares do mundo em Nova Iorque, no Deepak Homebase, espaço do Deepak Chopra, no ABC Carpet & Home, localizado na Broadway. Fiquei surpresa e encantada com o lugar lindo, incrível e super bem decorado. Isso sem falar na energia no coração da metrópole.

Uma experiência completamente diferente do Butão em termos de vivência, tempo, localização. Porém com enormes aprendizados e o tema em comum: mindfulness. Que é a base de todo processo para caminharmos em direção a auto-liderança.

Segundo o Mindful Nation UK Report: Mindfulness significa prestar atenção ao que está acontecendo no presente momento, seja no seu corpo, na sua mente, no seu entorno, com atitude de curiosidade e gentileza.

No Search Inside Leadership Institute, programa que participei, aprendi que mindfulness nos gera:

Clareza: Com a prática, trabalhamos inteligência emocional, valores e o passamos a ter a real clareza sobre nossas escolhas e intenções;

Calma: Através da respiração e do autocontrole e da presença focamos e nos acalmamos para sermos mais produtivos;

Felicidade e plenitude: Aprendemos a aceitar o momento presente que nos gera alegria.

Mindfulness é conseguirmos viver no momento presente e para isso, utilizamos de técnicas diferentes de meditação juntamente com respiração para estarmos atentos aos nossos sentimentos e pensamentos. Com isso podermos fazer melhores escolhas e prestar atenção em cada uma delas.

Os obstáculos no caminho do mindfulness

Talvez você ainda esteja se perguntando: “Por que não consigo viver no momento presente? O que me impede? Não tenho essa consciência”. Então listei aqui para você as principais dificuldades em vivermos no momento presente:

1. Piloto automático

Estamos sempre no “piloto automático”, realizando tarefas e “cumprindo” funções sem refletir ou questionar, apenas fazendo aquilo que acreditamos que deve ser feito. Nosso foco está sempre no passado ou no futuro, nunca no agora. Nossas atitudes são reações do que vivemos, das experiências passadas e sempre com um olhar do amanhã.

2. Distração

Não ficamos mais sozinhos, estamos sempre conectados às redes sociais e navegando na internet. Lendo, conversando, ouvindo, pensando. Sempre nos ocupando e inconscientemente nos distraindo. Inclusive, recentemente, em uma pesquisa realizada em Harvard, e publicada no livro The Thrive, de Arianna Huffington, pesquisadores deram duas opções para as pessoas: tomar um choque ou ficar em uma sala por um período sem telefone celular, papel ou qualquer distração. O resultado foi que 67% escolheram tomar o choque.

3. Somos reativos

Ao invés de sermos proativos e encararmos de frente nossas necessidades e desejos, só reagimos quando enfrentamos um drama pessoal ou profissional. Por exemplo: perda de emprego, doença, perda de ente familiar, término de um relacionamento.

4. Crenças familiares

Reagimos aos nossos instintos e utilizamos o conhecimento que obtivemos na nossa infância e adolescência. Quando não estamos atentos, influências e crenças podem moldar e direcionar nossas decisões.

Como começar

Você pode começar a sua prática do mindfulness a partir de agora, apenas coloque sua intenção, de olhos abertos ou fechados e siga os passo a passo:

1) Respire profundamente 3 vezes.

2) Coloque sua atenção na respiração.

3) Coloque sua atenção no seu corpo, em todas as partes do seu corpo.

4) Pergunte a si mesmo: o que é importante para mim agora?

Talvez você não tenha a resposta de imediato, mas repita diariamente este ritual, observe a si próprio. Aos poucos você entenderá que sua inteligência emocional aumentará. Afinal, você está trabalhando o seu cérebro para novos estímulos.

*Ligia Costa, fundadora da Thank God It’s Today

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