Milton Schahin vai pagar R$ 7 mi e colocar tornozeleira por acordo com Lava Jato

Milton Schahin vai pagar R$ 7 mi e colocar tornozeleira por acordo com Lava Jato

Sócio do Grupo Schahin, condenado a 9anos e 10 meses de prisão por corrupção e gestão fraudulenta, aceita imposições do Ministério Público Federal, entre elas, pagamento de multa de R$ 7 milhões e uso de tornozeleira eletrônica

Ricardo Brandt, Fabio Serapião e Beatriz Bulla

20 de fevereiro de 2017 | 14h26

O empresário Milton Taufic Schahin, sócio do Grupo Schahin, fechou acordo de delação premiada com a Lava Jato. Em troca de benefícios da Justiça, que o condenou – e a seu irmão Salim – a nove anos e dez meses de prisão pelos crimes de corrupção e gestão fraudulenta do banco Schahin no emblemático empréstimo de R$ 12 milhões a um amigo do então presidente Lula, em outubro de 2004, MIlton se dispõe a revelar o que sabe sobre este episódio e outros crimes financeiros.

Em troca, o Ministério Público Federal proporá a suspensão de procedimentos criminais, de inquéritos policiais e de ações penais ‘em curso ou ainda a serem instaurados em desfavor do colaborador’.

Milton Schahin foi condenado com seu irmão Salim e, ainda, o pecuarista José Carlos Bumlai – amigo do ex-presidente Lula -, por causa de um empréstimo de R$ 12 milhões do Banco Schahin. O dinheiro teria sido destinado ao PT.

A contrapartida para o Grupo Schahin, segundo a Lava Jato, foi um contrato de US$ 1,6 bilhão com a Petrobrás para operar o navio sonda Vitória 10.000. Lula, que não é réu nesta ação, teria dado a ‘benção’ ao negócio – o que é negado pela defesa do petista.

Pelos termos do acordo, Milton Schahin vai pôr tornozeleira eletrônica e pagar multa de R$ 7 milhões – com seis meses de carência para iniciar a quitação da dívida, que deverá ser saldada em até 24 parcelas.

Ele se sujeita à uma condenação de 20 anos de prisão que, na prática – como resultado do pacto -, ficará limitada a três meses em prisão domiciliar, com uso da tornozeleira. Após esse período, ele ficará nove meses em regime semiaberto, ainda com o monitoramento, podendo sair de casa entre 7hs e 21 hs, ‘devendo se recolher em domicílio nos finais de semana e feriados em tempo integral’.

Além disso, vai prestar ‘serviços à comunidade’ por vinte horas mensais, limitados ao máximo de dois anos, ‘não sendo imposta nenhuma outra restrição ao colaborador’.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA GUILHERME SAN JUAN, ADVOGADO DE MILTON TAUFIC SCHAHIN

O criminalista Guilherme San Juan, que defende o empresário Milton Taufic Schahin, disse que ‘é muito positivo’ o acordo de colaboração firmado com 15 procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato.

“O acordo é muito positivo para o caso de Milton Schahin, que já possuía processos em fase adiantada. Mas, por razões de sigilo, não se pode avançar além disso.”

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