Ex-ministro Milton Ribeiro passa a noite na PF em São Paulo e nesta quinta terá audiência de custódia virtual

Ex-ministro Milton Ribeiro passa a noite na PF em São Paulo e nesta quinta terá audiência de custódia virtual

Justiça Federal havia determinado a transferência do ex-ministro para Brasília, mas segundo a defesa a logística ficou inviável

Rayssa Motta, Pepita Ortega, Fausto Macedo e Julia Affonso

22 de junho de 2022 | 19h07

Ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi preso na Operação Acesso Pago. Foto: Gabriela Biló/Estadão

O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, acabará passando a noite em São Paulo. Ele foi preso nesta quarta-feira, 22, na Operação Acesso Pago.

A Justiça Federal havia determinado a transferência imediata do ex-ministro para Brasília e chegou a negar um pedido da defesa para mantê-lo em São Paulo até a realização da audiência de custódia, marcada para a tarde de amanhã.

Em novo comunicado no início da noite, a 15.ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal disse que a audiência será feita por videoconferência.

A defesa confirmou que ele vai passar a noite na superintendência da Polícia Federal em São Paulo. De acordo com o advogado Daniel Bialski, a transferência não aconteceu porque a logística ficou inviável. O criminalista já entrou com um habeas corpus e um mandado de segurança para tentar soltar Milton Ribeiro. Ele afirma que a prisão é “injusta, desmotivada e indiscutivelmente desnecessária”.

O pastor Arilton Moura, que está no Pará, também terá audiência online. O pastor Gilmar Santos foi preso em Brasília e, portanto, participará presencialmente. Os dois estão no centro das suspeitas de corrupção no Ministério da Educação (MEC).

O advogado Luciano Musse, apontado como um infiltrado dos líderes religiosos, e o ex-assessor da Prefeitura de Goiânia, Helder Diego da Silva Bartolomeu, que também foram presos na operação, vão passar por audiência presencial, segundo a Justiça Federal.

Operação Acesso Pago

A prisão do ex-ministro foi determinada na investigação do gabinete paralelo de pastores que controlava as verbas e a agenda do MEC. O caso foi revelado pelo Estadão.

Ao decretar a prisão preventiva, o juiz Renato Borelli citou supostos crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

A investigação aberta a pedido do procurador-geral da República Augusto Aras foi transferida para primeira instância depois que Milton Ribeiro perdeu do foro privilegiado ao deixar o cargo, em março, pressionado pelas suspeitas de irregularidades.

A Polícia Federal disse ter identificado “possíveis indícios de prática criminosa para a liberação das verbas públicas”.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE MILTON RIBEIRO

O advogado Daniel Bialski, que representa Milton Ribeiro no inquérito da Operação Acesso Pago, informou que está preparando um habeas corpus em favor do ex-ministro. “Mesmo sem conhecer profundamente o caso, parece-me que essa prisão preventiva não possui contemporaneidade (os fatos ocorreram há muito tempo) e não haveria nem razão e ou motivo concreto para essa custódia antecipada”, afirmou.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ARILTON MOURA

“A defesa se manifestará apenas nos autos do processo.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GILMAR SANTOS

A reportagem entrou em contato com a defesa do pastor e aguarda resposta. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE GOIÂNIA

Em nota, a Prefeitura de Goiânia informou que Helder Diego da Silva Bartolomeu foi nomeado em 25 de maio do ano passado, “mas não compareceu para trabalhar, razão pela qual foi aberto, em 15 de junho de 2021, processo administrativo por abandono de cargo”. Segundo a Prefeitura, “com o final da apuração administrativa, a exoneração foi formalizada no Diário Oficial do Município em 10 de maio de 2022”.

“Helder Diego da Silva Bartolomeu não exerceu cargo público na administração”, afirmou a prefeitura. “Logo que instaurado o procedimento, houve o devido bloqueio de salário, em julho de 2021, o que impediu que fossem realizados pagamentos indevidos. O processo também assegura a devolução de eventual quantia paga.”

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