Militares pegam euros e dólares com Pezão preso e acham 7 celulares em horta da cadeia

Militares pegam euros e dólares com Pezão preso e acham 7 celulares em horta da cadeia

Convertidos para o Real, valores ultrapassam o que o governador do Rio, como todo prisioneiro, pode ter na cela

Julia Affonso

21 de dezembro de 2018 | 12h11

Pezão. Foto: Fabio Motta/Estadão

O governador do Rio, Pezão (MDB), preso no Complexo Prisional da Polícia Militar, em Niterói, no Grande Rio, foi flagrado com moedas estrangeiras por uma inspeção da Corregedoria Interna da Polícia Militar, com apoio do Comando Conjunto do Exército, nesta sexta-feira, 21. Agentes pegaram 70 euros, 36 dólares, 6.0000 peso colombiano e 25 yinhang com o emedebista.

Os valores apreendidos com Pezão, convertidos para o Real, ultrapassam os R$ 100 que o governador, como qualquer outro preso, pode ter na cela. Participam da inspeção 100 policiais militares e 160 agentes das Forças Armadas.

A inspeção terminou às 12h e localizou ainda objetos proibidos – uma pequena tesoura, seringas descartáveis e caixas de medicamentos – e sete celulares. A Polícia Militar informou que os aparelhos estavam enterrados na horta da Unidade Prisional.

Os militares do Exército fizeram uma inspeção visual e uma varredura eletrônica e magnética em todas as celas da Unidade. O material apreendido será analisado por peritos da Corregedoria Interna da PM.

“Os responsáveis pela posse de objetos não permitidos serão ouvidos e sofrerão punições disciplinares previstas na legislação penal e no regulamento interno da Unidade Prisional”, informou a Polícia Militar.

Pezão foi preso na Operação Boca de Lobo, desdobramento da Lava Jato, em 29 de novembro, sob suspeita de propina de R$ 39,9 milhões.

Na quarta-feira, 19, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou o governador do Rio por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Outros 14 pessoas investigados foram acusados pelos mesmos crimes. O grupo é investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob relatoria do ministro Felix Fischer.

O governador do Rio é apontado como líder de organização criminosa e responsável por manter o esquema de recebimento de propina que vigorou no governo de seu antecessor, Sérgio Cabral, preso há dois anos. As investigações em torno de Pezão foram iniciadas com a delação premiada do operador financeiro Carlos Miranda.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE PEZÃO

A reportagem tentou contato com a defesa do governador do Rio, Pezão. O espaço está aberto para manifestação.