Militar da Guerra dos Seis Dias não tem direito à mesma pensão dos combatentes da 2.ª Guerra Mundial, decide Tribunal

Militar da Guerra dos Seis Dias não tem direito à mesma pensão dos combatentes da 2.ª Guerra Mundial, decide Tribunal

Aposentado de 73 dias que integrou o 20.º Contingente do Batalhão de Suez, enviado pelo Exército Brasileiro para atuar em missão de paz no Oriente Médio em junho de 1967, alegou 'envolvimento direto' no conflito militar que eclodiu em 5 de junho daquele ano entre Israel e países árabes

Pedro Prata

10 de janeiro de 2020 | 06h30

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) negou o pedido de um militar aposentado, de 73 anos, que integrou o Batalhão de Suez e participou da Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967 no Oriente Médio, e que requisitava o direito de receber a pensão especial que é paga pelo governo brasileiro aos ex-combatentes que lutaram na 2.ª Guerra Mundial. O militar alegou que por tratamento isonômico fazia jus ao benefício, mas a 4.ª Turma da Corte, de forma unânime, negou provimento ao recurso.

Prisioneiros egípcios na Guerra dos Seis Dias. Foto: Acervo Estadão

As informações foram divulgadas pelo TRF-4, em Porto Alegre, nesta quinta, 9 –
Nº 5032481-55.2019.4.04.7100/TRF

A decisão foi dada em sessão de julgamento realizada no dia 18 de dezembro.

O aposentado, residente na capital gaúcha, ingressou com uma ação contra a União requerendo o reconhecimento do direito à pensão especial, nos mesmos parâmetros da que é recebida pelos ex-combatentes brasileiros da 2.ª Guerra Mundial.

No processo, ele declarou ter integrado o 20.º Contingente do Batalhão de Suez, sendo enviado pelo Exército Brasileiro para atuar em missão de paz no Oriente Médio em junho de 1967, sob o comando da Organização das Nações Unidas (ONU).

Afirmou que esteve ‘envolvido diretamente’ no conflito militar que eclodiu em 5 de junho daquele ano entre Israel e países árabes, como Síria, Egito, Jordânia e Iraque, e que foi denominado de Guerra dos Seis Dias.

Sustentou, ainda, que esteve ‘presente no ambiente de guerra durante todo o período do conflito, pois a evacuação do seu batalhão ocorreu somente no dia 14 de junho por determinação dos governos egípcio e brasileiro’.

Ele defendeu que, comprovada sua participação em operações bélicas naquela guerra, teria direito à mesma pensão especial dada aos ex-combatentes que participaram da 2.ª Guerra Mundial, prevista no artigo 53, inciso II, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).

O militar de 73 anos destacou que ‘pelo princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei, o não recebimento da pensão é uma afronta ao princípio da isonomia’.

Pleiteou que o Poder Judiciário condenasse a União ao pagamento do benefício, inclusive de forma retroativa, com as parcelas vencidas desde 1967.

Israelenses enfrentaram povos árabes na Guerra dos Seis Dias. Foto: Estadão Acervo

No entanto, o juízo da 4.ª Vara Federal de Porto Alegre julgou a ação improcedente, negando os pedidos do ex-militar.

O autor recorreu da sentença ao TRF-4.

Na apelação, ele reforçou o argumento de que, na condição de componente do 20.º Contingente do Batalhão de Suez, ‘faz jus ao direito à pensão especial, por analogia aos militares envolvidos na 2.ª Guerra Mundial’.

A 4.ª Turma do tribunal, por unanimidade, negou provimento ao recurso, mantendo a decisão de primeiro grau.

A relatora do caso, desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha, destacou que ‘em que pesem os argumentos deduzidos pelo apelante, não há reparos à sentença’, pois a decisão está em ‘em absoluta consonância com as circunstâncias do caso e a jurisprudência desta Corte’.

A magistrada reforçou em seu voto que ‘a norma do artigo 53, inciso II, do ADCT é clara, para os fins da pensão especial instituída pelo referido dispositivo, sendo aplicável exclusivamente aos ex-combatentes da 2.ª Guerra Mundial, de modo que não contempla os integrantes do denominado Batalhão de Suez, missão de paz enviada ao Oriente Médio, em julho de 1967, inexistindo lacuna legislativa a ser suprida por meio de analogia na presente hipótese’.

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